O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta quinta-feira (17), em entrevista à jornalista Christiane Amanpour, da CNN Internacional, que o Brasil busca liberdade nas relações comerciais e não aceitará imposições dos Estados Unidos.
A declaração foi feita em meio à escalada de tensões provocada por uma carta enviada pelo presidente norte-americano, Donald Trump, anunciando um aumento de 50% nas tarifas sobre produtos brasileiros.
“Ninguém quer se separar dos EUA, ninguém quer ser livre dos EUA. O que queremos não é ser reféns dos EUA, queremos liberdade”, disse Lula durante a entrevista.
Na carta enviada por Trump em 9 de julho, o republicano justificou o aumento das tarifas alegando que o Brasil mantém uma relação comercial “injusta” com os Estados Unidos. No entanto, dados oficiais da balança comercial mostram que os norte-americanos têm vantagem nas trocas com o Brasil.
Ao comentar o documento, Lula disse que inicialmente acreditou se tratar de uma notícia falsa.
“Quando eu li a carta, achei que fosse fake news. Depois vi que era uma carta assinada pelo presidente Trump”, afirmou.
Resposta brasileira
Na quarta-feira (16), o governo brasileiro enviou uma carta oficial aos Estados Unidos manifestando “indignação” com a medida. O documento destaca que o Brasil está aberto à negociação, mas contesta a alegação de desequilíbrio comercial, apontando que o país acumula déficits nas trocas com os EUA.
Apesar da tensão, Lula afirmou que não vê uma crise nas relações bilaterais e ressaltou que o Brasil historicamente mantém boas relações com os presidentes norte-americanos.
“O Brasil gosta de negociar em paz. É assim que eu ajo, e acho que é assim que todos os presidentes deveriam agir”, declarou.
“O Brasil valoriza as relações econômicas que tem com os EUA, mas não aceitará nada imposto por outro país. Aceitamos negociação, não imposição.”
Questionado sobre as diferenças ideológicas com Trump, Lula evitou classificá-lo como extremista.
“Não vejo o presidente Trump como um presidente de extrema-direita. Vejo como o presidente dos EUA. Ele foi eleito pelo povo americano”, disse.
Citação a Bolsonaro
Na carta enviada ao Brasil, Trump também mencionou o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), criticando seu julgamento no Supremo Tribunal Federal e classificando-o como “uma vergonha internacional”.
A troca de cartas e declarações públicas marca um momento delicado nas relações entre os dois países, com o governo brasileiro buscando manter o diálogo aberto, mas firme diante de medidas que considera injustas.





