Em entrevista que concedeu nesta manhã à imprensa, em Brasília, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que não deu autorizado ao aumento do preço do óleo diesel pela Petrobras.
Segundo o presidente, “Eu não autorizei o aumento do diesel. Porque desde o meu primeiro mandato, eu aprendi que quem autoriza o aumento do petróleo e dos derivados de petróleo é a Petrobras, e não o presidente da República”, afirmou.
O presidente disse ainda que se a Petrobras decidir um reajuste, o preço final do diesel na bomba deve ficar abaixo do que era praticado em dezembro de 2022, o último mês da gestão de Jair Bolsonaro.
Para Lula, “se ela [a Petrobras] for fazer, ainda assim vai garantir que o preço do diesel fique abaixo do que era em dezembro de 2022. Mas ainda não fui avisado, e ela não precisa me avisar. Se ela tiver uma decisão de que, para a Petrobras, é importante fazer o reajuste, ela que faça e comunique à imprensa”, declarou o presidente.
O presidente procurou minimizar a possibilidade de que o aumento nos combustíveis possa causar problemas com os caminhoneiros brasileiros, categoria profissional que provocou uma crise ao entrar numa greve geral em 2018 contra a inflação do preço do diesel, causando aumento significativo da inflação no período.
“Se tiver uma movimentação de caminhoneiros, eu vou fazer o que sempre fiz a vida inteira. Nós vamos conversar com os caminhoneiros […] Vamos conversar com todo e qualquer setor que tiver qualquer problema com o governo”, disse.
Sobre a alta dos alimentos, Lula disse que não fará “bravata” e nem adotará medidas extremas no tema, para evitar o surgimento de consequências como o mercado paralelo dos produtos. Esse tema é muito sensível, porque nos últimos dias se especulou que o governo pretendia adotar congelamentos de preços ou controle de preços.
“Eu não tomarei nenhuma medida daquelas que sejam ‘bravata’. Eu não farei cota [de compras], não colocarei helicóptero para viajar fazenda e prender boi, como foi feito no Plano Cruzado. Não vou estabelecer nada que possa significar o surgimento de mercado paralelo”, afirmou o presidente.
“O que nós precisamos fazer é aumentar a produção de tudo aquilo que a gente produz. Fazer com que a chamada pequena e média agricultura – que são responsáveis pela produção de quase 100% dos alimentos – possa produzir mais. Para isso, a gente precisa fazer mais financiamento, modernizar a produção dessa gente”, seguiu.
“Eu na minha idade não posso fazer bravata. Eu preciso ter mais calma, contar até 10 e depois dizer o que vou fazer”, ponderou em outro momento.
Lula quer se reunir com setores produtivos para entender as razões de algumas altas de preços. Citou o óleo de soja e a carne, como produtos sensíveis aos reajustes.
“Quando eu cheguei na presidência, o preço do óleo de soja tinha caído para R$ 4. E agora, subiu para R$ 10 ou R$ 9. Ou seja, qual a explicação de o óleo de soja ter subido? Não tenho outra coisa que não chamar os produtores de soja para saber. Por que o preço da carne, que caiu 30% em 2023, voltou a subir? É apenas a exportação? É a questão da matriz?”, questionou.
“Não falta alimento no Brasil. Acontece que nós temos que ter em conta que o Brasil virou celeiro do mundo. Aquilo que a gente falava há 20 anos atrás virou verdade, o Brasil virou o celeiro do mundo”, seguiu.



