O presidente Lula esteve nesta sexta (7), Campo do Meio (MG), onde anunciou que vai combater a elevação de preços. Foto: Agência Brasil


Um dia depois de o vice-presidente Geraldo Alckmin se reunir com representantes do setor de alimentos, visando a adoção de medidas pra reduzir o preço dos gêneros e anunciar que o governo decidiu zerar os impostos de importações de nove produtos, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou, nesta sexta-feira (7), que o governo terá “tomar atitudes mais drásticas”, caso as medidas anunciadas para conter os preços, como os dos ovos, não surtam efeito.

A afirmação foi feita durante discurso em Campo do Meio (MG). Lula disse que o governo procura uma “solução pacífica”, mas que terá que “tomar atitudes mais drásticas” se a solução não for encontrada.

“O preço do café está muito caro para o consumidor, o preço do ovo está caro, o preço do milho está caro e nós estamos tentando encontrar uma solução, nós queremos encontrar uma solução pacífica, sem nada. Mas se a gente não encontrar vamos ter que tomar atitudes mais drásticas porque o que interessa é levar a comida barata para o prato do povo brasileiro”, disse o presidente.

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O governo federal anunciou na quinta-feira (6) um conjunto de medidas para tentar conter a alta dos preços dos alimentos, que pressiona a inflação e ajuda a corroer a popularidade do presidente Lula. A decisão foi tomada após reunião com ministros do governo e empresários do setor.

A principal linha de ação é zerar o imposto de importação sobre diferentes produtos, como carne, café e açúcar, milho, óleo de cozinha e azeite.

Lula citou a reunião desta quinta no discurso e afirmou quer encontrar a explicação para o aumento do preço do ovo.

“Fiz uma reunião no Palácio com muitos ministros, muitos empresários, muitas medidas mas eu quero encontrar uma explicação para o preço do ovo, galinha não está comendo carne, não tem uma galinha pedindo aumento do ovo”, contou.

Os alimentos que terão os tributos zerados são:

Azeite (hoje 9%)
Milho (hoje 7,2%)
Óleo de girassol (hoje até 9%)
Sardinha (hoje 32%)
Biscoitos (hoje 16,2%)
Massas alimentícias (macarrão) (hoje 14,4%)
Café (hoje 9%)
Carnes (hoje até 10,8%)
Açúcar (hoje até 14%)

Além deles, a cota de importação do óleo de palma, atualmente em 65 mil toneladas, subirá para 150 mil toneladas.

A redução de tarifas entrará em vigor nos próximos dias, após serem aprovadas pela Câmara de Comércio Exterior (Camex).

MEDIDAS ADICIONAIS

Outra medida é a prioridade para os alimentos da cesta básica no próximo Plano Safra, o programa que oferece financiamentos com juros subsidiados pelo governo para a produção agrícola. O objetivo é aumentar o estímulo a produtores rurais que produzam para o mercado interno.

Essa priorização também atinge os óleos de canola e de girassol, que são culturas de inverno.

O governo ainda anunciou a formação de estoques reguladores da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), após a queda dos preços.

No mês passado, a Conab havia pedido R$ 737 milhões para reconstituir os estoques de alimentos desmantelados nos últimos anos.