O presidente Luiz Inácio Lula da Silva informou a aliados políticos que submeterá novamente ao Senado o nome do advogado-geral da União, Jorge Messias, para ocupar a vaga aberta no Supremo Tribunal Federal (STF), decorrente da aposentadoria do ministro Luís Roberto Barroso.
A expectativa no Palácio do Planalto é que o chefe do Executivo formalize o reencaminhamento antes do início do período eleitoral de outubro, com o objetivo de impedir que a disputa paralise as votações na Casa legislativa.
A estratégia de Lula de insistir na escolha de Messias ocorre após o petista sofrer um revés histórico no final de abril, quando o plenário do Senado rejeitou a indicação do advogado-geral.
Foi a primeira reprovação de um nome para a corte jurídica desde 1894. O episódio gerou debates técnicos nos bastidores do Congresso, uma vez que normas internas da Mesa Diretora do Senado restringem a reapresentação de um candidato rejeitado para o mesmo cargo dentro da mesma sessão legislativa.
O presidente da República, contudo, avalia com interlocutores que a escolha de ministros do STF é uma atribuição exclusiva do Executivo e considera que a derrota teve motivação estritamente política, sem justificativas técnicas que desabonassem a qualificação de Messias.
O Planalto interpretou as manifestações de apoio recebidas pelo advogado-geral durante a posse do ministro Kassio Nunes Marques na presidência do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) como uma demonstração de prestígio institucional e viabilidade para o retorno.
Antes de consolidar a decisão, Lula cogitou a indicação de uma mulher para a cadeira. A alternativa foi sugerida por setores do Partido dos Trabalhadores (PT), sob a liderança de parlamentares como o deputado Pedro Uczai (PT-SC), que defendiam a ampliação da representatividade de gênero no tribunal e apontavam que uma candidata enfrentaria menor resistência e risco reduzido de nova rejeição.
A manutenção do nome de Messias aprofundou o desgaste na relação do governo com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), apontado pela base governista como o principal articulador da reprovação.
Apesar de o resultado no plenário ter exposto falhas na coordenação política e evidenciado o isolamento da base governista no parlamento, Lula rechaçou promover mudanças na equipe jurídica ou na articulação. Os líderes governistas no Congresso, incluindo o ministro das Relações Institucionais, Alexandre Padilha, o deputado José Guimarães e o senador Jaques Wagner (PT-BA) — a quem aliados consideraram traído no processo de contagem de votos —, foram mantidos em suas respectivas funções e encarregados de restabelecer o diálogo com Alcolumbre e recompor a maioria para as próximas votações.





