Germano Oliveira


Brasil em Foco


Germano Oliveira*

O presidente Lula, que estava nas cordas depois dos ataques desferidos pela direita, conseguiu um grande feito esta semana e se levantou da lona, onde estava quase indo a nocaute. Ele havia acabado de ser derrotado pelo Congresso, que rejeitou sua MP do aumento do IOF, e tudo indicava que não teria mais nenhuma vitória até as eleições do ano que vem. Os parlamentares prometiam fazer o que fosse preciso contra o mandatário. Ameaçaram que o governo só teria vitória se abrisse as torneiras das emendas parlamentares. O desespero era total no Planalto, porque ninguém do governo era capaz de ser interlocutor junto aos deputados sedentos por benesses governistas.

Para piorar, veio o tarifaço de 50% proposto pelo governo Trump, que não era apenas econômico, mas essencialmente político. O presidente americano deixou claro que as sanções comerciais objetivavam pressionar as autoridades brasileiras a relaxarem as medidas judiciais contra o ex-presidente Jair Bolsonaro. Lula ficou novamente no corner, porque os americanos são o segundo maior parceiro comercial do Brasil, e o tarifaço de Trump iria inviabilizar negócios com o mercado dos Estados Unidos.

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Mas Lula lutou, e é possível que o país saia das cordas novamente. Afinal, as próprias empresas americanas aqui instaladas ficaram indignadas com o tarifaço de Trump, e pode ser que o presidente venha a recuar um pouco em suas sanções descabidas contra o Brasil.

A tábua de salvação de Lula, contudo, veio no final da semana com a operação do STF contra o ex-presidente, que foi obrigado a colocar tornozeleira eletrônica, não sair de casa à noite, não poder passar perto de embaixadas e não conversar com nenhum dos outros réus da tentativa de golpe de 8 de janeiro de 2023. Pior: não poderá conversar com o filho Eduardo, deputado “exilado” nos Estados Unidos, à espera da ajuda de Trump para salvar o pai da cadeia aqui no Brasil.

Dessa forma, os Bolsonaro acabaram ajudando sobremaneira a recuperação de Lula. O petista já recuperou sua popularidade e subiu nas pesquisas, a ponto de bater todos os bolsonaristas no primeiro turno e empatar tecnicamente com o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas. Ou seja, Lula voltou ao jogo.

*Germano Oliveira é Diretor do BRASIL CONFIDENCIAL.