O presidente francês, Emmanuel Macron, denunciou nesta quinta-feira (8) o que chamou de “novo colonialismo e novo imperialismo” nas relações internacionais, em referência à política externa do líder norte-americano Donald Trump. Segundo ele, os EUA estariam “aos poucos se afastando” de aliados e “rompendo com as regras internacionais”.
Em seu discurso anual aos embaixadores franceses, Macron defendeu como resposta a esse “mundo que está saindo do eixo” o que chamou de “multilateralismo eficaz”.
“Rejeitamos o novo colonialismo e o novo imperialismo”, afirmou, acrescentando que “também recusamos a ‘vassalização’ e o derrotismo”.
Críticas aos EUA, China e Rússia
O presidente francês disse que o mundo vive sob a influência de grandes potências “tentadas a dividir o mundo entre si”, citando a operação organizada por Washington para capturar o presidente venezuelano Nicolás Maduro e as exigências de Trump em relação à Groenlândia.
Macron também criticou a China, pela “agressividade comercial cada vez mais desinibida”, e a Rússia, que classificou como “potência desestabilizadora” na Ucrânia. Ainda assim, concentrou suas declarações nos Estados Unidos.
“EUA se afastam de aliados”
Segundo Macron, os EUA são uma potência que está “gradualmente se afastando de alguns de seus aliados e se libertando das regras internacionais que defendiam até recentemente”. Ele mencionou ainda uma “agressividade neocolonial” crescente.
No discurso do ano passado, o chefe de Estado francês havia criticado o que chamou de “internacional reacionária”, apoiada pelo bilionário Elon Musk, mas defendeu que França e Europa deveriam “aprender a cooperar” com Trump.
Desta vez, apesar das críticas abertas à diplomacia norte-americana, Macron não defendeu uma ruptura com Washington. Pediu aos diplomatas que não se limitassem a comentar o que “todos os outros estão fazendo” e que não fossem “espectadores de um desmantelamento”.
“Estamos aqui para agir”
“É o contrário! Não estamos aqui para comentar, estamos aqui para agir!”, declarou.
A França acaba de assumir a presidência do G7 (que reúne EUA, Alemanha, Itália, Reino Unido, Japão e Canadá). Macron disse que pretende aproveitar o momento para combater os “desequilíbrios globais” de forma “cooperativa”, especialmente com a China.
Ele alertou ainda que o G7 não deve se transformar em “um clube anti-Brics”, bloco que reúne países emergentes como Brasil, Rússia, Índia e China.
Segundo Macron, a cúpula do G7 marcada para junho, em Evian (Alpes franceses), será uma oportunidade para que, “junto” com os países emergentes, seja feita a reforma da “governança global” e das Nações Unidas, que, segundo ele, viraram “uma novela sem fim”.


