Mansões cinematográficas de US$ 35 milhões na Flórida. Jatinhos particulares. Uma rede complexa de empresas de fachada. O que parecia ser o estilo de vida dos sonhos da família Vorcaro, controladora do Banco Master, agora está no centro da investigação de fraudes financeiras.
Documentos internos revelam que, enquanto a Polícia Federal e o Banco Central fechavam o cerco contra a instituição, Daniel Vorcaro e seus familiares orquestraram uma manobra desesperada para ocultar um rombo de R$ 776,9 milhões.
Anatomia do Golpe
De acordo com os liquidantes do banco, o esquema funcionava como um “jogo de espelhos” financeiro:
- O Ativo “Podre”: Empresas da família Vorcaro venderam centenas de milhões em “recebíveis” (dívidas a receber) para o Fundo City, ligado ao próprio Master.
- O Truque: Na prática, esses títulos não tinham lastro. Eram promessas de pagamento que nunca seriam honradas.
- O Dinheiro Vivo: Em troca desses papéis sem valor, o fundo repassou R$ 419,9 milhões em dinheiro vivo para as contas da família.
Do Banco para a Beira da Piscina
Para onde foi o dinheiro? As autoridades acreditam que os recursos do Master financiaram o alto luxo global. O destaque é uma propriedade de luxo em Windermere, na Flórida, avaliada em US$ 35 milhões.
A mansão está em nome de uma empresa cujos diretores são Henrique e Natália Vorcaro — pai e irmã do banqueiro. No mês passado, a Justiça bloqueou os bens de ambos para garantir que os credores do banco não fiquem de mãos abanando.
O Colapso Final
Em julho de 2025, o castelo de cartas desmoronou. O Fundo City anunciou uma queda de 99,98% no valor de suas cotas.
O impacto real: Se você tivesse investido R$ 100 no dia anterior, acordaria com apenas R$ 0,02.
A manobra final tentou “vender” a dívida da família para uma empresa chamada Navarra S.A., que os investigadores descobriram ser controlada pelo próprio Daniel Vorcaro através de outros fundos. O objetivo? Mascarar o prejuízo antes da liquidação total do banco.
Outro Lado
Em nota, a defesa de Henrique e Natália Vorcaro negou qualquer irregularidade. Os advogados afirmam que os negócios foram lucrativos para o banco e que a família sequer tinha conhecimento dos fundos citados até o início da ação judicial. A equipe jurídica de Daniel Vorcaro preferiu não comentar.
A justiça de São Paulo, porém, foi clara: os indícios apontam para uma atuação “consorciada” para desviar e ocultar cifras bilionárias.





