O sociólogo e membro da Rede Nossa São Paulo, Igor Pantoja durante a entrevista no BC TV


Nesta segunda-feira (3), o Jornal BC TV, do Portal BRASIL CONFIDENCIAL, entrevistou Igor Pantoja, coordenador institucional da Rede Nossa São Paulo, para discutir os resultados do Mapa da Desigualdade, um estudo que há 12 anos revela as disparidades na qualidade de vida entre os 96 distritos da capital paulista, a cidade mais rica do Brasil. Pantoja, doutor em sociologia e mestre em planejamento urbano e regional, conversou com os jornalistas Germano Oliveira e Camila Srougi.

A entrevista lançou luz sobre os “abismos” que marcam a cidade, com dados que, segundo Pantoja, são chocantes. “Olha um dado que a gente já produz com esse mapa: existe uma diferença na idade média ao morrer de mais de 20 anos entre dois distritos da mesma cidade”, declarou o pesquisador. Ele citou como exemplo o Alto de Pinheiros, onde a idade média ao morrer chega a quase 81 anos, enquanto no distrito periférico de Anhanguera, na zona noroeste, essa média é de apenas 58 anos.

Pantoja enfatizou que essa discrepância não é natural, mas sim reflexo da falta de acesso a serviços públicos e da qualidade de vida. “Isso não é naturalmente assim, não é isso também tem uma questão de acesso a uma série de serviços de questões relativas à qualidade de vida. E o mapa traz aí mais de 40 indicadores nesses diferentes temas de saúde, educação, mobilidade que não tem umas razões, vamos dizer assim, para essa diferença tão grande na idade média ao morrer”, explicou.

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Brasilândia: “Emergência Urbana”

Ao analisar o ranking dos 96 distritos, que classifica aqueles com os melhores e piores indicadores, Igor Pantoja destacou um distrito que, em sua avaliação, configura uma “emergência urbana”: a Brasilândia.

“E a gente faz um ranking, dos 96 distritos, conferindo uma maior nota para aqueles que registram os melhores indicadores, vamos dizer assim, e aqueles que aparecem mais vezes nas piores posições. Então o distrito que aparece mais vezes nas piores posições é a Brasilândia”, afirmou.

Ele descreveu a região como uma área que cresceu muito nas últimas duas décadas, mas “cresceu de maneira muito pouca qualidade urbana, para dizer de uma maneira mais formal”. Pantoja detalhou o que isso significa para os moradores: “A gente sabe o que significa ruas estreitas, né? Pouco serviço público de ônibus, né? A saúde é mais precária, e isso se reflete em toda a infra-estrutura da vida. Aquela região é mais sensível do que em áreas periféricas jamais consolidadas”.

Embora outros bairros periféricos como Cidade Tiradentes, Iguatemi, São Mateus, Jardim Ângela e Grajaú ainda apresentem indicadores desafiadores, Pantoja observou uma tendência de melhora em algumas dessas regiões, enquanto a zona noroeste da capital, com destaque para Brasilândia, tem “piorado e tem se destacado negativamente”.

Ele também mencionou outros distritos que merecem atenção, como Jaçanã e o próprio Anhanguera.

Os 10 melhores e os 10 piores

Ao ser questionado sobre os extremos do Mapa da Desigualdade, Igor Pantoja listou os distritos com as melhores e piores classificações.
Os 10 distritos com as maiores notas, indicando melhor qualidade de vida, são:

  • Alto de Pinheiros; Moema; Tatuapé; Vila Mariana; Itaim Bibi; Lapa; Perdizes; Pinheiros; Consolação e Morumbi.

Pantoja observou que esses são “bairros mais dentro da do centro expandido da cidade, né, bastante consolidados, bairros de classe média e média alta”.

Já os 10 distritos com as piores notas, concentram-se majoritariamente nas periferias:

  • Brasilândia (último lugar no ranking); Grajaú; Jardim Ângela; Itaquera; Pedreira e Tremembé.

“Todos estão na região periférica da cidade, tanto no extremo sul quanto no extremo leste também”, afirmou Pantoja. Ele concluiu que, apesar de algumas melhorias em áreas centrais, “ainda tem uma diferença gritante na qualidade de vida entre quem mora no centro e na periferia”.

📺 Assista a entrevista completa de Igor Pantoja clicando aqui: