A periferia das grandes cidades têm focos de violência, que impõem medo à população. (Reprodução: TV)


Recalcular trajetos, evitar sair após o anoitecer e abrir mão do celular nas ruas tornaram-se práticas comuns em boa parte das cidades brasileiras. Um estudo divulgado neste domingo (10) pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, em parceria com o Datafolha, mostra que 57% da população mudou hábitos cotidianos nos últimos 12 meses em razão da violência.

A pesquisa, intitulada “Medo do crime e eleições 2026: os gatilhos da insegurança”, revela que a sensação de vulnerabilidade é quase universal: 96,2% dos entrevistados afirmaram temer ao menos uma situação de violência.

Entre as alterações mais frequentes estão:

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36,5% mudaram percursos habituais;
35,6% deixaram de sair à noite;
33,5% evitam circular com o celular;
26,8% retiraram alianças ou acessórios;
22,5% desistiram de adquirir bens por receio de roubo;
19,4% relataram outras mudanças de comportamento.

O peso desigual do medo

O relatório destaca que o impacto da insegurança não é homogêneo. Mulheres apresentam índices mais altos em todas as situações investigadas, configurando um medo “totalizante”, que abrange ameaças patrimoniais, físicas e sexuais. Quatro em cada dez mulheres deixaram de sair à noite, contra três em cada dez homens. O temor de agressão sexual, relatado por 82,6% delas, amplia a percepção de risco em outros contextos.

Já entre as classes D e E, a insegurança assume contornos mais físicos e territoriais. Enquanto os segmentos de maior renda concentram preocupações em crimes digitais e patrimoniais, os mais pobres convivem com ameaças ligadas ao espaço urbano e ao próprio lar.

Golpes digitais em ascensão

O levantamento também aponta que fraudes virtuais se tornaram o crime mais temido no país. Para 83,2% dos brasileiros, ser vítima de golpe financeiro pela internet ou celular é a principal preocupação — índice próximo ao medo de roubo à mão armada (82,3%) e de morte durante assalto (80,7%).

Nos últimos 12 meses, 15,8% da população adulta sofreu algum tipo de fraude digital, o que equivale a 26,3 milhões de pessoas. A vitimização é maior nas classes A/B e em grandes centros urbanos. Apesar da alta incidência, apenas 8,2% dos casos chegam às autoridades, alimentando a percepção de impunidade.