Sede do Banco Master no dia da liquidação extrajudicial decretada pelo Banco Central, no ano passado. (Foto: PF)


A engenharia financeira feita por Daniel Vorcaro para ocultar o patrimônio da organização criminosa não cessou sequer diante do avanço das investigações da Operação Compliance Zero.

O despacho do ministro André Mendonça detalha que a Polícia Federal logrou êxito ao identificar e realizar o “bloqueio de R$ 2.245.235.850,24” em uma conta bancária vinculada formalmente a Henrique Moura Vorcaro, pai de Daniel Vorcaro.

Para os investigadores, essa conta funcionava como um “mecanismo de blindagem patrimonial”, permitindo que o controlador do Banco Master mantivesse vultosos recursos líquidos disponíveis enquanto simulava uma fragilidade financeira perante as autoridades brasileiras.

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A magnitude dos valores retidos impressiona pela rapidez da movimentação: apenas em janeiro de 2026, a organização tentou pulverizar esses recursos entre diversas empresas do grupo para evitar o confisco.

O ministro destacou que Daniel Vorcaro detém um “extenso patrimônio no exterior, inclusive em paraísos fiscais”, o que, somado à posse de jatos privados, tornava o risco de evasão de divisas uma ameaça iminente à aplicação da lei penal.

A decisão judicial ressalta que a manutenção da liberdade dos investigados permitiria a continuidade da “dissipação de ativos de origem ilícita”, dificultando a reparação do dano ao sistema financeiro nacional.

Além do bloqueio bilionário, o STF determinou a suspensão imediata das atividades de cinco empresas-chave: Varajo Consultoria, Moriah Asset, Super Empreendimentos, King Participações e King Motors.

Segundo o despacho, tais empresas eram utilizadas para o pagamento de “contratos simulados” e para o custeio da estrutura de espionagem da “Turma”.

A investigação aponta que o fluxo de caixa dessas companhias era alimentado por uma rede de “contas de passagem”, desenhadas para dificultar o rastreamento do dinheiro que saía das fraudes com CDBs do Banco Master e terminava no financiamento de atos de corrupção e intimidação de autoridades e jornalistas.