O México é importante comprador de carnes do Brasil. (Foto: Divulgação)


O governo do México publicou duas resoluções que restringem a entrada de carne bovina e suína com tarifa zero. Até então, empresas mexicanas podiam importar esses produtos sem limite de quantidade e sem imposto.

Com a mudança, foram criadas cotas de isenção. O volume que ultrapassar os limites estabelecidos passará a ser taxado, o que deve afetar diretamente países exportadores, como o Brasil.

Segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic), entre janeiro e novembro de 2025 a carne bovina foi o segundo principal produto exportado pelo Brasil para o México, enquanto a carne suína ocupou a décima posição.

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Novas regras

As resoluções determinam que os mexicanos poderão importar até 70 mil toneladas de carne bovina sem tarifa. O excedente será taxado em 20%. Para a carne suína, a cota livre de imposto será de 51 mil toneladas, e o volume adicional terá taxa de 16%.

A medida valerá até 31 de dezembro deste ano.

Em nota, o governo mexicano afirmou que as cotas foram criadas para manter o “equilíbrio entre a oferta externa e a produção nacional”.

A Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) afirmou que a regra se aplica a países fora da América do Norte e sem acordo comercial com o México. “A cota basicamente deverá ser utilizada por Brasil, Chile e União Europeia”, disse a entidade.

Já a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) informou que aguarda orientações do governo mexicano sobre a distribuição das cotas.

O frango, principal produto exportado pelo Brasil para o México, continua com tarifa zerada, segundo a ABPA.

Peso do mercado mexicano

De janeiro a novembro de 2025, o México foi o sétimo maior destino da carne suína brasileira, atrás de Filipinas, Japão, China, Chile, Hong Kong e Singapura, de acordo com o Agrostat, do Ministério da Agricultura.

No setor bovino, o México aparece como o quinto maior cliente do Brasil, depois de China, EUA, União Europeia e Chile.

Contexto internacional

A decisão mexicana ocorre dias após a China, maior compradora da carne bovina brasileira, também anunciar limites para importações.

O país asiático estabeleceu cotas anuais para compras externas. Atualmente, a taxa de importação é de 12%, mas o volume que exceder os limites terá sobretaxa de 55%.

As medidas começaram a valer em 1º de janeiro de 2026 e terão duração de três anos. A cota inicial é de 2,7 milhões de toneladas, número próximo ao recorde de 2,87 milhões de toneladas importadas em 2024, mas inferior ao volume registrado nos primeiros 11 meses de 2025.