Resultado de ataques russos à cidade Sumy, que matou mais de 30 pessoas neste fim de semana. (Foto Euronews)


Reunidos em Luxemburgo nesta segunda-feira, os ministros das Relações Exteriores da União Europeia destacaram a urgência de impor novas sanções à Rússia após o ataque devastador em Sumy.

Dois mísseis balísticos russos atingiram Sumy durante as celebrações do Domingo de Ramos, data que marca a entrada de Jesus Cristo em Jerusalém. O ataque deixou pelo menos 34 mortos e mais de 110 feridos. “O ataque atingiu o centro da cidade no Domingo de Ramos. Apenas uma escória imunda pode agir dessa forma”, declarou o presidente ucraniano Volodymyr Zelenskyy.

O bombardeio ocorreu enquanto a Ucrânia ainda lamentava a morte de 19 pessoas, incluindo nove crianças, em Kryvyi Rih no início do mês. Ambos os ataques utilizaram mísseis balísticos e munições de fragmentação, ampliando os danos.

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Para os ministros europeus, os ataques evidenciam que Putin não tem interesse em avançar nas negociações de paz promovidas por Donald Trump. “Estou profundamente chocado com a última série de ataques russos à Ucrânia”, afirmou Radosław Sikorski, ministro das Relações Exteriores da Polônia. Ele também expressou esperança de que o presidente Trump e sua administração reconheçam a gravidade da situação e tomem medidas adequadas.

Kęstutis Budrys, da Lituânia, classificou o ataque a Sumy como um “crime de guerra por definição” e defendeu um novo pacote de sanções, incluindo setores como gás natural liquefeito (GNL) e energia nuclear, que permanecem intocados em decisões anteriores. No entanto, o 17º pacote de sanções desde fevereiro de 2022 ainda enfrenta resistência, especialmente da Hungria, que tem criticado as restrições econômicas e ameaçado bloquear sua renovação.

A ministra finlandesa Elina Valtonen apoiou sanções mais rigorosas e destacou que a queda nos preços globais do petróleo, impulsionada por tarifas de Trump, é essencial para enfraquecer a máquina de guerra do Kremlin. “A Rússia demonstra total desprezo pelo processo de paz e pela vida humana”, afirmou Valtonen.

A sueca Maria Malmer Stenergard foi além, defendendo a apreensão de bens congelados do Banco Central russo como forma de compensar a redução da ajuda militar dos Estados Unidos à Ucrânia. Apesar de ser uma medida controversa, alguns líderes europeus consideram essa abordagem uma fonte potencial de recursos para apoiar Kiev.

A Alta Representante da UE para Política Externa, Kaja Kallas, também expressou indignação e reforçou a necessidade de pressão máxima sobre a Rússia. “Precisamos de dois para querer a paz, mas apenas um para querer a guerra”, afirmou Kallas, que tem liderado esforços para aumentar o apoio militar à Ucrânia.