Relatórios da Polícia Federal e registros de voos indicam que o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes e sua esposa, a advogada Viviane Barci de Moraes, utilizaram aeronaves particulares ligadas ao banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, em ao menos oito ocasiões.
A informação foi revelada nesta terça-feira (31) pelo blog do jornalista Fausto Macedo, no Estadão.
As viagens teriam ocorrido entre maio e outubro de 2025, período em que o Banco Master e seus executivos já estavam sob a lupa de investigações federais.
O que diz a reportagem
Segundo os dados obtidos, sete dos voos foram realizados pela Prime Aviation, empresa que tinha Vorcaro como um de seus sócios. Um oitavo deslocamento teria sido feito em um jato de propriedade de Fabiano Zettel, cunhado do banqueiro e também investigado na Operação Compliance Zero.
As agendas de voos apontam trajetos frequentes entre São Paulo, Brasília e destinos de lazer, mas os detalhes sobre os passageiros exatos em cada trecho ainda estão sob análise técnica.
Defesa fala em “táxi aéreo”
O gabinete do ministro Alexandre de Moraes reagiu com dureza às informações, classificando a divulgação dos dados como uma “ilação sem base factual”. Em nota, o gabinete negou qualquer tipo de favorecimento ou irregularidade na conduta do magistrado.
Já o escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes afirmou que todas as aeronaves utilizadas foram devidamente contratadas como serviço de táxi aéreo.
A defesa da advogada ressalta que os pagamentos foram efetuados conforme os preços de mercado e que a escolha da empresa Prime Aviation foi estritamente comercial, sem relação com a figura física de Daniel Vorcaro.
Contexto: A crise no Banco Master
A revelação coloca lenha na fogueira da Operação Compliance Zero. Daniel Vorcaro foi preso preventivamente no início deste mês de março, sob a acusação de chefiar uma estrutura financeira para ocultar patrimônio e intimidar opositores.
O caso ganha contornos mais graves devido a três pontos principais:
- Delação à vista: Vorcaro estaria negociando um acordo de colaboração com a PGR (Procuradoria-Geral da República), o que pode expor relações próximas com figuras de alto escalão em Brasília.
- Mensagens apagadas: Perícias anteriores da PF em aparelhos apreendidos mostraram o uso de recursos de “visualização única” em diálogos atribuídos ao banqueiro e ao ministro, embora o conteúdo das conversas não tenha sido integralmente recuperado.
- Conflito de interesses: No STF, Moraes é relator de processos que envolvem diretamente a segurança jurídica do sistema financeiro, o que levanta questionamentos éticos sobre sua proximidade com donos de instituições bancárias.
Repercussão no STF
Nos bastidores do Supremo, o clima é de apreensão. Este não é o primeiro revés envolvendo ministros e o ecossistema do Banco Master; recentemente, o ministro Dias Toffoli também foi citado em investigações paralelas que envolvem o resort Tayaya, empreendimento ligado ao grupo de Vorcaro.
Até o fechamento desta reportagem, o STF não havia se manifestado institucionalmente sobre os novos dados. A defesa de Daniel Vorcaro afirma que o empresário é inocente e que todas as operações da Prime Aviation seguiam as normas da Anac.



