Angela Ro Ro (Reprodução)


A cantora e compositora Angela Ro Ro morreu nesta segunda-feira (8), aos 75 anos, no Rio de Janeiro. Ela estava internada desde junho na UTI de um hospital da capital fluminense e sofreu uma parada cardíaca após complicações de uma infecção.

Ro Ro, nome artístico de Angela Maria Diniz Gonçalves, foi uma das vozes mais marcantes da música popular brasileira. Com timbre rouco e interpretação visceral, destacou-se nos anos 1970 e 1980 com sucessos como Amor, Meu Grande Amor, Fogueira e Compasso. Ao longo da carreira, lançou mais de dez álbuns e colaborou com artistas como Maria Bethânia, Cazuza e Marina Lima.

Além da relevância artística, Angela Ro Ro foi pioneira ao assumir publicamente sua homossexualidade em uma época de forte conservadorismo. “Nunca escondi quem sou. A música me deu coragem para ser verdadeira”, disse em entrevista à TV Brasil em 2011. Sua postura firme e transparente abriu caminho para maior representatividade LGBTQIA+ na arte brasileira.

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Nos últimos anos, enfrentou dificuldades financeiras e problemas de saúde. Em 2020, chegou a pedir ajuda nas redes sociais para cobrir despesas médicas e alimentação. “Não tenho aposentadoria, vivo com R$ 800 por mês de direitos autorais. Estou pedindo ajuda porque não tenho outra saída”, escreveu em publicação no Facebook.

A artista também enfrentou episódios de depressão e isolamento. Em entrevista ao jornal O Globo, em 2022, afirmou: “A música sempre foi meu refúgio, mas às vezes o silêncio pesa mais do que a melodia”.

Angela Ro Ro nasceu em 5 de dezembro de 1949, em Rio de Janeiro. Estudou piano clássico na juventude e iniciou sua carreira profissional em casas noturnas cariocas. O primeiro disco, lançado em 1979, foi aclamado pela crítica e pelo público, com destaque para a faixa Não Há Cabeça, que misturava blues e samba-canção.

A morte da cantora gerou comoção entre artistas e fãs. “Angela foi uma força da natureza. Uma mulher intensa, corajosa e absolutamente única”, escreveu a cantora Zélia Duncan em rede social. A ministra da Cultura, Margareth Menezes, também se manifestou: “Perdemos uma voz que desafiou padrões e inspirou gerações. Angela Ro Ro deixa um legado de autenticidade e arte”.

O velório será realizado na terça-feira (9), em cerimônia restrita a familiares e amigos próximos. Ainda não há informações sobre o local do sepultamento.

Angela Ro Ro deixa uma obra marcada pela ousadia, pela emoção e pela luta por liberdade. Sua voz permanece como símbolo de resistência e beleza na música brasileira.