Zanardi ganhou duas medalhas de ouro nos Jogos Paralímpicos de Londres 2012 e ouro e prata na Rio 2016. (Foto: Redes sociais)


O italiano Alex Zanardi, ex-piloto de Fórmula 1 e ganhador de quatro medalhas de ouro paralímpicas, morreu aos 59 anos, deixando um legado de superação dentro e fora das pistas, após uma vida dedicada ao esporte e à capacidade de se sobrepor à tragédia.

“Com profundo pesar, a família anuncia o falecimento repentino de Alessandro Zanardi na noite de ontem, 1 de maio”, informou sua família neste sábado (02/05) em um comunicado.

“Alex faleceu em paz, cercado pelo amor de seus entes queridos. A família agradece sinceramente a todos aqueles que expressaram suas condolências neste momento e solicita respeito à sua dor e privacidade durante este período de luto”, acrescentaram.

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Nascido em Bolonha em 1966, sua trajetória esportiva foi marcada pelo talento ao volante, pela adversidade e por uma extraordinária capacidade de superação que o tornou uma das figuras mais admiradas do esporte italiano.

Da Fórmula 1 ao acidente em 2001.

Apaixonado por automobilismo desde jovem, Zanardi, que completaria 60 anos em outubro, foi campeão italiano e europeu de kart antes de subir pela Fórmula 3 e Fórmula 3000 até chegar à Fórmula 1, categoria na qual disputou 44 provas entre 1991 e 1994, e em 1999, pelas equipes Jordan, Minardi, Lotus e Williams.

Zanardi foi para a Indy (antiga CART) e conquistou os títulos de 1997 e 1998. Ele reapareceu na categoria após um hiato de poucas temporadas.

Em 15 de setembro de 2001, quando competia no circuito alemão de Lausitzring, sofreu um grave acidente no qual perdeu o controle de seu carro, que foi partido ao meio após o impacto.
Internado em um hospital de Berlim, permaneceu vários dias em coma induzido e os médicos tiveram que amputar ambas as pernas em uma tentativa de salvar sua vida.

Longe de abandonar o esporte, Zanardi retornou à competição e reapareceu em 19 de outubro em Monza, ao volante de um BMW no Campeonato Europeu de Turismo, competindo até 2009 no Mundial de Turismo com um BMW 320 adaptado.
Esporte paralímpico

Após sua recuperação, encontrou uma nova motivação no ciclismo de mão e, em 2011, venceu a Maratona de Nova York na modalidade handbike, estabelecendo também um novo recorde da prova.

Como paraclista, conquistou duas medalhas de ouro nos Jogos Paralímpicos de Londres 2012 e, quatro anos depois, na Rio 2016, somou mais um ouro e uma prata. Além disso, acumulou outros sucessos internacionais, consolidando-se como uma das grandes referências do esporte adaptado.

Em 19 de junho de 2020, enquanto participava da exibição beneficente Obiettivo Tricolore, que reunia atletas paralímpicos em handbikes e triciclos, perdeu o controle de sua bicicleta de mão nos arredores de Siena e invadiu a pista contrária, se chocando contra um caminhão.

Zanardi foi transferido de helicóptero ao hospital e submetido no mesmo dia a uma delicada operação de neurocirurgia de três horas. Posteriormente, seu estado foi classificado como gravíssimo, permanecendo sedado e em cuidados intensivos.

Em agosto de 2020, foram relatadas “melhorias clínicas significativas”, embora o quadro neurológico continuasse grave.

Ao longo de sua vida, Zanardi foi reconhecido não apenas por suas conquistas esportivas, mas por sua atitude diante da adversidade. Após sobreviver ao acidente de 2001, chegou a afirmar que se sentia feliz por estar vivo e que o pior já havia passado depois de ser reanimado em várias ocasiões.

Sua história, dos circuitos de Fórmula 1 ao topo do esporte paralímpico, transformou Alex Zanardi em um símbolo internacional de resiliência.