O procurador-geral da Justiça Militar, Clauro de Bortolli, que deve concluir seu trabalho na próxima semana. (Reprodução)


O procurador-geral da Justiça Militar, Clauro de Bortolli, trabalha mesmo durante o recesso do Judiciário para concluir os pedidos de expulsão das Forças Armadas do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e de generais condenados pelo Supremo Tribunal Federal (STF) na trama golpista. A expectativa é que as representações sejam encaminhadas na próxima semana ao Superior Tribunal Militar (STM).

Bortolli e sua equipe alternam trabalho remoto e presencial na sede do Ministério Público Militar, em Brasília. Em janeiro, tribunais superiores e procuradorias costumam ficar esvaziados, com retomada das atividades apenas em fevereiro.

O que o STM vai decidir

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Ao receber os pedidos, o STM vai avaliar se os militares condenados têm “idoneidade e dignidade” para permanecer nas Forças Armadas. O mérito das condenações não será discutido, já que não cabem mais recursos contra a decisão do STF.

Há dois meses, os militares começaram a cumprir pena em regime fechado. A única exceção é o general Augusto Heleno, que passou ao regime domiciliar humanitário após um mês.

Militares condenados

  • Jair Bolsonaro, capitão reformado do Exército
  • Almirante Almir Garnier, ex-comandante da Marinha
  • General Walter Braga Netto, ex-ministro da Defesa e da Casa Civil
  • General Augusto Heleno, ex-ministro do Gabinete de Segurança Institucional
  • General Paulo Sérgio Nogueira, ex-ministro da Defesa

Como será o julgamento

As representações do MP Militar serão sorteadas eletronicamente no STM. Cada ação terá um relator e um revisor, sem prazo definido para apresentação dos votos.

No plenário, qualquer um dos 15 ministros pode pedir vista e suspender a análise. Embora o prazo teórico seja de 60 dias, na prática esse limite costuma ser desconsiderado.

Por tradição, a presidente do tribunal, ministra Maria Elizabeth Rocha, não votará durante seu mandato. Ela só se manifestará em caso de empate, e o voto de desempate é sempre favorável ao réu.

Julgamento inédito

O STM nunca analisou pedidos de perda de patente de militares por crimes contra a democracia e também jamais expulsou generais condenados.

Nos últimos oito anos, a Corte acolheu 93% dos pedidos de expulsão apresentados pelo MP Militar. Os casos mais comuns envolvem estelionato, peculato, corrupção passiva e estupro de vulnerável.