O Ministério Público Federal denunciou 11 pessoas no âmbito da Operação Narco Bet, desdobramento da Narco Vela, que havia revelado uma rede de tráfico internacional de drogas.
A investigação aponta que o grupo estruturou um esquema milionário de lavagem de dinheiro por meio de rifas ilegais e apostas em plataformas sem regulamentação no Brasil. Entre os acusados estão o empresário Rodrigo de Paula Morgado, apontado como líder da organização criminosa, e o influenciador digital Bruno Alexssander Souza Silva, conhecido como Buzeira, responsável pela arrecadação e movimentação inicial dos valores.
Também figuram na denúncia os influenciadores Ingrid Ohara e T10, além de outros sete integrantes ligados a empresas de fachada e contas de pessoas físicas usadas para pulverizar os recursos ilícitos.
De acordo com o MPF, o grupo operava com múltiplas camadas artificiais de circulação financeira, utilizando empresas fantasmas e criptoativos para mascarar a origem dos valores.
Entre agosto de 2023 e março de 2025, Buzeira teria remetido a Morgado cerca de US$ 15 milhões em moedas digitais, convertidos posteriormente em dinheiro e distribuídos entre os beneficiários. Mensagens trocadas entre os principais envolvidos revelaram a rotina de movimentações e a dimensão das quantias.
O empresário Rodrigo Morgado e dois de seus auxiliares também foram denunciados por uso de documentos falsos, empregados na constituição das empresas de fachada. Caso a Justiça Federal aceite a denúncia, os acusados responderão por lavagem de dinheiro e formação de organização criminosa.
A ofensiva contou com apoio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do MPF em São Paulo. Parte dos denunciados já havia aparecido nas apurações da Operação Narco Vela, que desmantelou uma organização especializada no tráfico internacional de drogas por meio de embarcações de pequeno porte. Até agora, a série de investigações resultou em oito denúncias apresentadas pelo MPF.
Assim, a Operação Narco Bet expõe a conexão entre o universo das apostas ilegais e o crime organizado, revelando como influenciadores digitais e empresários se associaram para movimentar valores expressivos em criptoativos e ocultar sua origem ilícita.


