BRASIL EM FOCO
Germano Oliveira*
À exceção da primeira-dama Rosângela Lula da Silva, a Janja, que manda no governo mais do que muitos ministros e enquadra muitos assessores do presidente, incluindo o próprio mandatário, em algumas questões cruciais, Lula está cercado por mulheres poderosas. Algumas delas estão sendo induzidas pelo petista a se lançarem candidatas tanto ao Senado quanto ao governo de vários estados. Esse é o caso de Simone Tebet, Marina Silva, Gleisi Hoffmann e Benedita da Silva, entre outras.

Uma das ministras de maior peso de Lula é Gleisi Hoffmann (PT), ministra das Relações Institucionais, que está deixando o governo federal para assumir a candidatura de senadora pelo Paraná, por orientação do mandatário. Ele quer que o PT tenha o máximo de candidatos ao Senado para formar uma grande bancada no Salão Azul, já que, a partir de agora, a luta política se dará principalmente no Senado, onde o embate com a direita (especialmente o PL, que deseja apresentar impeachments de ministros do STF, entre outras coisas) será intenso, e Lula quer recuperar seu protagonismo no Poder Legislativo.
Tebet e Marina

A ministra do Planejamento, Simone Tebet (MDB), também já decidiu deixar o governo para disputar uma vaga no Senado. Ela tem título de eleitor em Campo Grande (MS), onde já foi prefeita de Três Lagoas e vice-governadora do Estado, e pensa em transferir o domicílio eleitoral para São Paulo, com a intenção de disputar o Senado ou até o governo paulista, para enfrentar o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), candidato à reeleição.
Se não disputar o governo, porque o PT e Lula desejam que o candidato para enfrentar o governador bolsonarista seja o ministro da Fazenda, Fernando Haddad — que também vai deixar o ministério ainda neste mês —, Tebet poderá ser candidata ao Senado por São Paulo. Ela diz que ainda está negociando isso com o próprio líder petista. Afinal, ela é do MDB, que em São Paulo deve apoiar a candidatura à reeleição de Tarcísio.
Essa insistência de Tebet em disputar uma candidatura em São Paulo está irritando, inclusive, o prefeito Ricardo Nunes (MDB), que critica o presidente por estimular esse racha nos quadros emedebistas (o partido tem ministros no governo Lula).
Além de Tebet, outra ministra de Lula que pode deixar o governo para ser candidata ao Senado por São Paulo é a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva (Rede). Mas, nesse caso, a Rede teria que fazer dobradinha com o PT ou Marina se filiar ao partido do presidente, o que pode ser um pouco mais complicado, uma vez que, para esse posto, há o próprio Haddad ou até o vice Geraldo Alckmin, que, se não for escalado pelo mandatário para enfrentar Tarcísio, pode vir a ser incensado ao Senado, onde a disputa será grande, com inúmeros candidatos de potencial elevado.
A força de Benedita

E Lula terá mais uma mulher importante para disputar uma vaga no Senado pelo Rio de Janeiro. Trata-se da deputada Benedita da Silva (PT), que está bem cotada para enfrentar o desafio, apesar de o partido falar em lançar também a candidatura de Neguinho da Beija-Flor ao Senado. Pode ser os dois, já que duas vagas estarão em disputa, ou Lula terá que exercer sua liderança máxima para escolher um ou outro, caso precise usar a segunda vaga para alguma aliança. No Rio, o presidente vai apoiar o prefeito Eduardo Paes (PSD) para governador. Se Lula tiver que escolher, Benedita será a candidata do partido da esquerda.
O governo Lula ainda conta com outras mulheres importantes que não deverão se desincompatibilizar para serem candidatas, como é o caso das ministras Esther Dweck (Gestão), Anielle Franco (Igualdade Racial), Cida Gonçalves (Mulheres), Margareth Menezes (Cultura) e Sônia Guajajara (Povos Indígenas).


