Indígenas protestam na frente do local onde ocorre a COP30. (Foto: EBC)

Lideranças do povo Munduruku entregaram, nesta sexta-feira (14), em Belém, documentos ao presidente da COP30, André Corrêa do Lago, com críticas à privatização de hidrovias e à construção da Ferrogrão. O grupo exige que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva revogue o decreto que autoriza concessões no Rio Tapajós e afirma que os projetos ameaçam seu modo de vida e pressionam suas terras.

O encontro ocorreu após protesto pacífico na entrada principal da conferência, sem incidentes, apenas com atraso na entrada de participantes. A reunião foi realizada em prédio anexo ao Tribunal de Justiça do Pará e contou também com as ministras Sônia Guajajara (Povos Indígenas) e Marina Silva (Meio Ambiente e Mudança do Clima).

Em nota, o Movimento Munduruku Ipereg Ayu denunciou que o corredor Tapajós–Arco Norte é vetor de avanço do agronegócio sobre a Amazônia, segundo dados do Instituto de Estudos Socioeconômicos (Inesc). Os indígenas também criticaram as negociações climáticas internacionais, que, segundo eles, tratam as florestas como ativos de crédito de carbono. Nos cartazes, frases como “Nossa Floresta não Está à Venda” e “Não Negociamos a Mãe Natureza”.

Respostas do governo

A ministra Sônia Guajajara classificou a manifestação como legítima e disse que os indígenas cobraram esclarecimentos sobre processos demarcatórios das terras Sawre Ba’pim e Sawré Muybu, em Itaituba (PA). Segundo ela, o processo de Sawré Muybu já foi assinado pelo ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, e está em fase de demarcação física pela Funai. O de Sawre Ba’pim aguarda portaria declaratória.

Marina Silva afirmou que não há pedido de licenciamento da Ferrogrão em análise pelo Ibama. O projeto, segundo ela, está judicializado e o estudo ambiental foi devolvido por falhas. Sobre a privatização das hidrovias, disse que encaminhará a demanda ao Ministério dos Transportes.

Guajajara destacou ainda que 360 lideranças indígenas estão credenciadas para acompanhar as negociações na Zona Azul da COP30, sendo 150 da Amazônia. “Pela primeira vez na história houve ampliação da participação indígena nas COPs”, afirmou.

“Queremos ser ouvidos”

Alessandra Munduruku reiterou o pedido de reunião com Lula para discutir o decreto das hidrovias. “A nossa preocupação é o decreto e a Ferrogrão, isso vai nos prejudicar bastante. Estar aqui já é um avanço, mas precisamos ser mais consultados dentro do território. A decisão é coletiva”, disse.