Marcos Clementino
A origem do Dia da Mentira não tem uma fonte única e definitiva. A explicação mais aceita está ligada à mudança do calendário ocorrida em 1582, quando o Papa Gregório XIII instituiu o Calendário Gregoriano. Antes disso, em vários lugares da Europa, o Ano Novo era celebrado no final de março e começo de abril. Com a mudança, aqueles que continuaram comemorando na antiga data passaram a ser alvos de brincadeiras e trotes.
A tradição de pregar pegadinhas nessa data se espalhou pelo continente europeu e atravessou gerações. Em países de língua inglesa, a data é conhecida como April Fools’ Day, enquanto em outros lugares existem versões locais da comemoração. Há também teorias que ligam o 1º de abril a festivais antigos, como o Hilaria, celebração romana marcada por risos e brincadeiras.
Atualmente, a data ganhou um novo significado com o mundo digital. Empresas, portais de notícias e influenciadores aproveitam o dia para divulgar informações falsas de maneira divertida, algumas tão elaboradas que confundem até os mais atentos.
Mas e a honestidade? Como diferentes países se comportam quando o assunto é dizer a verdade? Diversos estudos têm tentado responder a essa pergunta.
Uma pesquisa da Universidade de East Anglia, no Reino Unido, testou a honestidade de participantes de 15 países com experimentos simples, como o lançamento de uma moeda. O Reino Unido apresentou o menor índice de desonestidade, enquanto a China ficou com o maior. O Brasil ocupou a quinta posição entre os menos honestos nesse teste.
Outro estudo curioso, publicado na revista Science, distribuiu 17.303 carteiras em 40 países para medir a honestidade cívica. O resultado? A Suíça liderou o ranking de honestidade, enquanto a China ficou na última colocação. O Brasil apareceu na 26ª posição, atrás de países como Argentina (18ª), Portugal (20ª) e Estados Unidos (21ª).
Vale lembrar que esses estudos têm limitações e não devem ser encarados como verdades absolutas sobre a honestidade de cada nação. Questões culturais, sociais e econômicas influenciam fortemente os comportamentos analisados.
Seja para pregar pegadinhas inocentes ou refletir sobre a importância da honestidade, o Dia da Mentira continua sendo uma data curiosa, capaz de despertar risos, debates e, às vezes, até algumas confusões!
O fato é que somos brasileiros e moramos aqui; não precisamos de muita pesquisa para saber o “jeitinho” de como as coisas, infelizmente, funcionam.
Não faço parte da turma que credita todos os problemas aos políticos do nosso país, pois eles são minoria, apesar do grande poder que têm para mudar o rumo das coisas por aqui. Se o problema da falta de honestidade estivesse somente em Brasília, resolveríamos esse assunto nas próximas eleições. Mas não está.
A mentira está em um advogado quando um reclamante o confia para defendê-lo em uma causa, mas este aceita agir contra o seu próprio cliente por receber uma oferta da parte contrária.
A mentira está quando uma mãe aparece chorando na televisão dizendo que seu filho é trabalhador para afirmar que a polícia o confundiu com um criminoso, mesmo tendo a certeza dos seus atos delinquentes.
A mentira está no frentista do posto de gasolina que, para vender produtos e bater sua comissão, diz que o motor vai fundir se não trocar o óleo naquele momento. Cobra seis litros de óleo e usa apenas dois.
Quer mais? Furar fila, seja no trânsito, no banco ou em eventos. Comprar aparelho do “gato net”. Estacionar em vaga de idoso ou deficiente sem necessidade. Não devolver troco recebido a mais. Fingir que não viu um erro a seu favor. Dar o famoso “migué” para faltar ao trabalho (doença fictícia, falecimento de um parente distante). Fraudar carteirinha de estudante para pagar meia-entrada. Burlar regras de condomínio para evitar multas. Falsificar atestados médicos para faltar ao serviço ou à escola. Comprar produtos falsificados e piratas, sabendo da ilegalidade. Pedir nota fiscal com valor menor para pagar menos imposto. Não declarar bens corretamente no Imposto de Renda. Pagar “por fora” para evitar impostos ou reduzir custos. Compartilhar senhas de streaming e dividir contas como se fossem individuais. Baixar e-books, filmes e músicas piratas. Criar perfis falsos para enganar ou prejudicar terceiros. Divulgar fake news e desinformação sem checar fontes.
Tentar subornar guardas de trânsito para evitar multa. Usar influência para furar filas em hospitais e órgãos públicos. Empresários que se declaram MEI para pagar menos impostos, mas faturam muito acima do limite permitido. Testar produtos em lojas físicas e depois comprar mais barato online. Reclamar de comida no restaurante para não pagar a conta. Usar produtos e devolvê-los depois sem real defeito. Fingir que não recebeu uma encomenda para pedir reembolso.
Aí te pergunto: será que a mentira está apenas com os políticos?
Setenta por cento da população brasileira se identifica como cristã no Brasil – sendo cerca de 38% católicos e 29% evangélicos. Fica aqui minha sugestão de leitura do Novo Testamento para apontarmos menos o dedo para os outros e fazermos uma reflexão mais profunda em nós mesmos se quisermos mudar o mundo.
Mateus 7:3-5
“Por que você repara no cisco que está no olho do seu irmão e não se dá conta da viga que está em seu próprio olho? Como você pode dizer ao seu irmão: ‘Deixe-me tirar o cisco do seu olho’, quando há uma viga no seu? Hipócrita! Tire primeiro a viga do seu olho, e então você verá claramente para tirar o cisco do olho do seu irmão.”
Não espere o político parar de mentir ou ficar mais honesto. Não temos controle sobre eles, só temos controle sobre nós mesmos. E aí, está disposto a reconhecer que mente e é desonesto? Está disposto a parar de mentir?
Só faça essa promessa consigo e seu compromisso com a verdade pode ficar para a partir de amanhã, porque hoje ainda é 1º de abril, Dia da Mentira.





