Varejistas chinesas utilizam intensamente o Serviço Postal para atender a clientela americana. Foto: Reprodução/Agência Brasil


De acordo com a agência estatal alemã DW e agências internacionais de notícias, o Serviço Postal americano (USPS) informou nesta quarta-feira (05) que suspenderá temporariamente o recebimento e envio de encomendas oriundas de China e Hong Kong.


Essa decisão segue uma medida tomada nesta semana pelo presidente dos EUA, Donald Trump, que encerrou uma cláusula comercial usada por varejistas chinesas como Temu e Shein para enviar pacotes de baixo valor com isenção de impostos para os Estados Unidos.


Segundo informações, no decreto que entrou em vigor nesta terça-feira (4), Trump eliminou um imposto conhecido como “de minimis” que permitia consumidores dos EUA a não pagar tarifas em remessas abaixo de 800 dólares (R$ 4,6 mil). O modelo é similar ao brasileiro, que há 6 meses instituiu imposto para produtos de até 50 dólares, regra que ficou popularmente conhecida como “taxa das blusinhas”.

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Nos EUA, Trump também impôs uma tarifa adicional de 10% sobre produtos chineses. A Casa Branca diz que as novas regras foram impostas para conter o fluxo de fentanil para os EUA. A agência de notícias Reuters revelou que fornecedores chineses usavam essa isenção para exportar materiais químicos para a produção de fentanil, disfarçando-os como eletrônicos e outros produtos de baixo custo.


“Isso é enorme… Pessoas que estão esperando pedidos da Amazon, Shein e Temu não têm como saber quando os receberão”, disse Ram Ben Tzion, fundador da Ultra Information Solution, uma empresa responsável por uma plataforma de verificação de remessas por correio.


“Espero que isso seja uma medida de curto prazo, substituída por uma solução mais equilibrada a longo prazo”, acrescentou.


O USPS afirmou que a mudança não afetará o fluxo de cartas e “flats” – correspondências de até 38 cm de comprimento ou 1,9 cm de espessura – vindas da China e de Hong Kong.


“O USPS precisará de tempo para entender como aplicar os novos impostos antes de permitir a entrada de pacotes chineses novamente nos EUA”, disse Chelsey Tam, analista sênior de ações da Morningstar. Segundo ela, 4 milhões de pacotes nesta categoria entraram nos Estados Unidos em 2024.


Em resposta, Pequim acusou os EUA de “politizar questões comerciais e econômicas”. Prometendo “tomar as medidas necessárias para proteger resolutamente os direitos e interesses legítimos das empresas chinesas”, o porta-voz do Ministério so Exterior da China, Lin Jian, disse que Washington institui uma “repressão irracional”.


A pasta pediu diálogo e negociações entre Pequim e Washington, ressaltando que reduzir a demanda por drogas internamente e fortalecer a cooperação na aplicação da lei seria a solução fundamental para a crise do fentanil nos EUA.


A empresa de logística Easyship alertou seus clientes que agora enfrentarão uma fiscalização muito mais rigorosa. Outras transportadoras internacionais, como FedEx e SF Express – maior empresa de entrega expressa da China –, afirmaram que continuarão enviando pacotes para os EUA.


As varejistas Shein e Temu, que vendem desde brinquedos até smartphones, cresceram rapidamente nos EUA, em parte graças à isenção destes impostos. Segundo um relatório do comitê do Congresso dos EUA sobre a China, publicado em junho de 2023, Shein e Temu representavam juntas mais de 30% de todos os pacotes enviados diariamente para os EUA sob essa isenção.


O relatório também apontou que quase metade de todos os pacotes enviados sob esta regra vinha da China.


“Preencher a documentação para declarações alfandegárias não era algo com que essas empresas precisavam lidar frequentemente antes”, disse Basile Ricard, diretor de operações da Ceva Logistics Greater China.


“É um processo muito novo para elas. Se for um processo manual, será incrivelmente difícil… Neste momento, não está claro como elas vão gerenciar isso”, completou.


A Amazon também tem uma grande base de vendedores na China. De acordo com a consultoria de e-commerce Marketplace Pulse, estimativas de fevereiro indicam que vendedores baseados na China representam quase metade dos 10 mil principais vendedores na Amazon dos EUA.

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