Uma crise política envolvendo o ministro da Previdência, Wolney Queiroz, e o presidente do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), Gilberto Waller Júnior, chegou ao Palácio do Planalto. A disputa gira em torno de nomeações para cargos comissionados no INSS.
Em maio, após o escândalo de fraudes no INSS vir à tona, o presidente Lula trocou a cúpula do Ministério da Previdência. Wolney Queiroz assumiu o ministério e delegou ao presidente do INSS a decisão de nomear superintendentes regionais, diretores e outros cargos comissionados. No entanto, Wolney recentemente revogou essa autonomia, reassumindo o controle sobre as nomeações.
As nomeações para esses cargos são tradicionalmente feitas para atender a interesses políticos. A troca na Superintendência Regional de São Paulo foi o estopim para a decisão de Wolney de centralizar novamente as indicações. Waller substituiu Hermenegildo Pires Alves, ligado ao ex-presidente do INSS José Carlos Oliveira, por Michelle Reis Moreira, ligada ao PT de São Paulo.
Além da disputa por nomeações, há uma disputa por protagonismo entre Wolney e Waller. Aliados de Wolney se queixam do excesso de exposição de Waller e reclamam que ele anunciou a data de 24 de julho para ressarcir os aposentados sem consultar o ministro ou o Palácio do Planalto.
O Palácio do Planalto foi envolvido na crise, e representantes do PDT e do Centrão procuraram ministros próximos a Lula para reclamar da situação. O Planalto pediu a Waller que avisasse a ministra da Articulação Política, Gleisi Hoffmann, sempre que decidisse trocar nomes da cúpula do órgão.
Dúvidas sobre o Futuro de Waller
No entorno de Waller, há uma percepção de que Wolney atua para desgastá-lo, e há dúvidas sobre se ele permanecerá no cargo. Um incidente durante a comemoração do aniversário do INSS, em 27 de junho, pode ter contribuído para a deterioração da relação entre os dois. Wolney teria dito, em tom de brincadeira, que avisou Lula que Waller era “frio e lava-jatista”, causando mal-estar.


