Nesta quinta-feira, 22 de maio, o especialista em mercados da Cultura Capital, Gabriel Uarian, concedeu entrevista aos jornalistas Germano Oliveira e Camila Srougi, no canal BC TV, do Brasil Confidencial. Durante a conversa, Uarian abordou os desafios enfrentados pelo setor produtivo de aves diante da recente detecção de novos casos de gripe aviária no Brasil, os efeitos econômicos dessa crise e as estratégias dos investidores para mitigar riscos.
Impacto sobre o setor de aves e a imagem do Brasil
Segundo Uarian, a situação acende um alerta internacional sobre a segurança sanitária do país. “A imagem do Brasil pode ser bastante prejudicada, porque, apesar de muitas críticas, temos uma fiscalização muito rigorosa tanto para aves quanto para bovinos e outros tipos de carnes. Isso é essencial porque exportamos para grandes mercados como China e Arábia Saudita”, afirmou.
Ele reforçou a importância da resposta rápida das autoridades para conter a crise e evitar sanções de países importadores. “Quando uma situação como a gripe aviária surge, gera preocupação. Se os importadores acreditarem que há falhas no controle sanitário, poderemos enfrentar barreiras comerciais sérias. É preciso agir rápido e garantir que a fiscalização seja reforçada.”
Oscilação dos preços e efeito no mercado interno
Sobre os efeitos da gripe aviária no mercado de carnes, Uarian explicou que, no curto prazo, haverá uma queda nos preços internos, mas isso não significa uma tendência permanente. “A princípio, a carne pode ficar mais barata dentro do país. Mas, assim que as barreiras começarem a cair e os países voltarem a comprar nossos produtos, os preços vão se reajustar.”
Ele destacou que esse fenômeno já está se desenrolando. “Alguns países começam a retirar parte das restrições, enquanto outros ainda mantêm barreiras. Mas a tendência é que, com o tempo, o mercado se estabilize. O Brasil precisa garantir a qualidade das exportações para evitar penalizações.”
Efeitos sobre investimentos e estratégias do setor
Uarian também analisou como os investidores do agronegócio podem minimizar riscos e aproveitar oportunidades. “Quem investe no setor precisa estar atento às oscilações. Algumas ações, como as da BRF Foods, que tem uma grande exposição ao frango, podem sofrer desvalorização no curto prazo. Mas isso não significa que a empresa vai enfrentar dificuldades contínuas. Pelo contrário, esse pode ser um bom momento para quem quer investir e surfar na valorização futura.”
Ele ressaltou que diversificar investimentos é essencial. “Não dá para colocar todos os ovos na mesma cesta. É preciso olhar para diferentes setores, como bovinos e suínos, e entender como o mercado internacional está reagindo.”
O papel do consumo interno
Outro ponto abordado foi a capacidade do mercado interno de absorver a produção excedente em períodos de crise internacional. “O mercado interno do Brasil não tem força suficiente para consumir toda a produção, então mesmo com queda temporária nos preços, as empresas precisam das exportações para manter a sustentabilidade financeira.”
Por fim, Uarian fez um alerta sobre o impacto da crise para os grandes exportadores brasileiros. “As empresas têm uma estrutura voltada para exportações. Elas precisam vender para o mercado internacional para garantir rentabilidade. Se forem forçadas a redirecionar produtos ao mercado interno, podem enfrentar prejuízos significativos.”
Assista a entrevista completa acessando o link aqui:



