O aumento da volatilidade global, os sinais econômicos contraditórios vindos de países desenvolvidos e, mais recentemente, a tensão envolvendo instituições financeiras brasileiras — como o caso do Banco Master — intensificaram a preocupação dos investidores com a segurança de seus recursos. Para discutir como navegar por esse cenário, o BC TV, do portal Brasil Confidencial, entrevistou nesta terça-feira, 25 de novembro, o CEO da Asset Bank, Gustavo Assis. A conversa foi conduzida pelos âncoras Camila Srougi e Germano Oliveira.
Durante a entrevista, Assis destacou que o principal mecanismo de proteção do investidor é, antes de tudo, a informação. Segundo ele, o déficit de educação financeira no país aumenta a vulnerabilidade do público.
“O conhecimento é um alicerce secular. Ele protege, fortalece e orienta o investidor. Educação financeira deveria começar na escola, porque cuidar do dinheiro é vital”, afirmou.
Assis observou que a busca por orientação profissional é recomendada, mas não substitui a necessidade de entender o básico sobre finanças e mercado.
“O investidor precisa procurar alguém com bagagem real, com credibilidade. Mas não pode terceirizar 100% do seu entendimento. O melhor mecanismo de defesa é buscar conhecimento para caminhar com segurança”, disse.
Retornos fora da curva são alerta imediato
A oferta crescente de produtos financeiros com rentabilidade elevada tem despertado atenção e levantado dúvidas entre investidores sobre como identificar riscos ocultos. Assis foi categórico ao orientar que o investidor deve sempre verificar a regulação das instituições e comparar remunerações.
“Se a média do mercado paga 105% ou 110% do CDI e alguém promete 140%, isso não é competitividade, é um sinal de alerta. O investidor precisa comparar e questionar. É a lógica da maçã: se uma custa R$ 1 e a outra R$ 5, há um motivo”, ressaltou.
Ele reforçou ainda que o investidor deve confirmar se bancos, corretoras e assets são supervisionados pelo Banco Central ou pela CVM, além de avaliar a experiência do profissional que conduz a oferta.
Internacionalização e criptomoedas exigem cautela e perfil adequado
Ao discutir a diversificação no exterior — incluindo ETFs — e os investimentos em criptomoedas, como Bitcoin, surgiu a dúvida sobre o nível de risco envolvido nesses produtos. Assis explicou que se tratam de opções legítimas, mas alertou que muitos investidores aplicam recursos sem compreender riscos fundamentais.
“O problema não é o ativo, é quem coloca 100% do patrimônio em um produto volátil. Há casos de investidores que dormem com 100 mil reais e acordam com 50 mil. Diversificação não é sugestão, é um princípio básico”, afirmou.
Ele destacou ainda que qualquer investimento fora do mercado tradicional deve seguir o processo regulado pela CVM de identificação de perfil.
“Antes de aplicar, é preciso saber se o investidor é conservador, moderado ou agressivo. O perfil define o limite da exposição e orienta quanto pode ser alocado no exterior, em criptomoedas ou em ativos de longo prazo.”
Previdência privada segue relevante, mas divide espaço com novos produtos
O tema da previdência privada — PGBL e VGBL — também esteve no centro da conversa. Assis reconheceu a importância desses instrumentos, mas destacou que o mercado brasileiro hoje oferece alternativas mais diversificadas para quem pensa no longo prazo.
“A previdência privada tem valor, especialmente pela vantagem tributária e pela rapidez no repasse aos beneficiários. Mas o mercado evoluiu. Hoje há fundos de longo ciclo que entregam rentabilidade recorrente e robusta, com segurança e previsibilidade”, explicou.
Segundo ele, fundos fechados com prazos de 5 a 10 anos têm se mostrado opções consistentes para construção de patrimônio, oferecendo ao investidor a possibilidade de resgatar e reinvestir em novas oportunidades ao final do período.
Ao longo da entrevista, Gustavo Assis manteve o mesmo ponto central: o conhecimento é a maior ferramenta de proteção do investidor em um mercado repleto de opções e riscos.
“O conhecimento é a melhor autodefesa. Ele é o que separa a boa oportunidade da armadilha”, concluiu.
📺 A entrevista completa está disponível no canal BC TV:


