Não existe regulação sobre a qualidade das lentes de óculos de sol no Brasil.


A radiação solar ultravioleta (UV) pode causar vários problemas nos olhos, como catarata e inflamação das córneas (fotoceratite). Uma forma de se proteger é usar óculos de sol. Mas, uma pesquisa recente mostrou que muitos modelos de óculos não protegem tão bem quanto deveriam.

Pesquisadores da Escola de Engenharia de São Carlos (EESC-USP) analisaram 12 modelos de óculos de sol. Apenas um deles passou nos testes de segurança para bloquear a radiação UV, conforme as regras da Comissão Internacional de Proteção Contra Radiação Não Ionizante (ICNIRP).

Eles descobriram que, com o tempo, a maioria das lentes perde a capacidade de bloquear a radiação UV, o que aumenta os riscos de problemas nos olhos. Apenas uma lente se saiu muito bem, bloqueando completamente a radiação UV mesmo após simular 2.500 horas de exposição ao sol.

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Os cientistas recomendam que a indústria siga os limites de segurança da ICNIRP para melhorar a qualidade dos óculos de sol. As normas da OMS e da comissão internacional dizem que os óculos devem bloquear radiação UV no comprimento de onda entre 280 e 400 nanômetros (nm).

A professora Liliane Ventura, do Departamento de Engenharia Elétrica e de Computação da EESC-USP, liderou a pesquisa. Ela conta que, desde os anos 1990, o laboratório desenvolve estudos nessa área, ajudando a criar padrões de segurança.

Ventura e seu time também estão desenvolvendo novas tecnologias para medir a exposição aos raios UV e testar a proteção dos óculos de sol. Recentemente, Ventura e seu ex-aluno Artur Duarte Loureiro conseguiram uma patente para uma tecnologia que avalia a qualidade dos óculos de sol usados para dirigir.

O pesquisador Mauro Masili, primeiro autor do estudo, explicou que todos os óculos analisados deveriam garantir proteção UVA acima de 86%. Se a proteção for menor que isso, aumenta o risco para a saúde ocular.

Os resultados mostraram que, em ambientes externos brilhantes, os óculos de sol podem impedir a resposta natural do olho de se fechar um pouco para bloquear a luz. Isso pode aumentar a exposição aos raios UV se as lentes não oferecerem proteção adequada.

Desde o final dos anos 1990, Ventura e Masili têm trabalhado com órgãos reguladores para criar normas de proteção. Em 2003, a Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) publicou a NBR 15111, que estabelecia características para os óculos de sol no Brasil. Essas normas foram revistas em 2013 para ampliar a proteção, mas foram substituídas por normas internacionais em 2015.

Hoje, não é obrigatório certificar os óculos de sol para venda no Brasil. Ventura está desenvolvendo um protótipo para medir a exposição aos raios UV e criar um selo de proteção solar para ajudar os consumidores na hora da compra.