Passageiros retirados do transatlântico são repatriados. (Reprodução: TV)


O surto do vírus Andes, uma variante altamente letal do hantavírus, transformou a viagem do navio de cruzeiro MV Hondius em uma crise sanitária internacional. Desde a partida de Ushuaia, na Argentina, em 1º de abril, a embarcação já registrou três mortes confirmadas e diversos casos suspeitos. O navio chegou hoje nas Ilhas Canárias. 145 passageiros estavam a bordo.

Mortes e cronologia do surto

O primeiro óbito ocorreu em 11 de abril, quando um passageiro holandês morreu pouco antes de uma parada técnica. Desde então, a situação se agravou:

Continua depois da publicidade
  • 25 de abril: A esposa da primeira vítima morreu durante um voo de repatriação para os Países Baixos, após apresentar sintomas em Joanesburgo.
  • 2 de maio: Uma passageira alemã morreu em pleno mar, tornando-se a terceira vítima fatal confirmada.
  • Evacuações: Outros passageiros, incluindo um britânico com insuficiência respiratória grave, foram retirados do navio em paradas como a Ilha de Ascensão.

Variante perigosa

Diferente da maioria das cepas de hantavírus, que são transmitidas apenas por roedores, a variante Andes possui capacidade comprovada de transmissão entre humanos. Especialistas ouvidos pela reportagem apontam que a taxa de letalidade pode variar entre 20% e 40%.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) monitora o caso com cautela. “Não é o início de uma nova pandemia de Covid, o risco para a população mundial é considerado baixo, mas é um foco infeccioso que exige isolamento rigoroso”, afirmou Maria Van Kerkhove, diretora da organização.

Braço de ferro nas Canárias

A chegada do MV Hondius ao porto de Santa Cruz de Tenerife desencadeou um conflito político na Espanha. O presidente regional das Ilhas Canárias, Fernando Clavijo, declarou-se contrário ao desembarque, alegando que o sistema de saúde local não teria capacidade para conter um eventual vazamento do vírus.
Por outro lado, o governo central de Pedro Sánchez e a OMS defendem que o desembarque é uma medida humanitária necessária.

O que dizem os especialistas

Apesar do pânico, médicos acreditam que a transmissão em larga escala pode ser evitada. O uso experimental do antiviral favipiravir está sendo testado para bloquear a replicação do vírus nos infectados. O período de incubação, que pode chegar a 40 dias, é o maior desafio para as autoridades sanitárias, que buscam rastrear todos os passageiros que desembarcaram do navio nas últimas semanas em ilhas do Atlântico Sul.