A Organização Mundial da Saúde (OMS) alertou nesta sexta-feira (8) que novos casos de hantavírus podem surgir nos próximos dias, embora tenha enfatizado que o risco de um surto generalizado permanece baixo. O comunicado ocorre em um momento de crescente ansiedade na Europa, enquanto a Espanha se prepara para uma complexa operação de desembarque de um navio de cruzeiro ligado ao monitoramento da doença.
Até o momento, três mortes foram confirmadas em decorrência da cepa andina do vírus. Em Amsterdã, as autoridades de saúde descartaram a infecção em uma comissária de bordo da KLM que apresentava sintomas leves; a OMS informou que os exames da funcionária deram negativo.
Operação de Isolamento nas Canárias
O foco das atenções se deslocou para o Atlântico, onde o navio de cruzeiro MV Hondius deve chegar às Ilhas Canárias neste domingo. Em uma decisão que reflete a cautela do governo espanhol, a embarcação não terá permissão para atracar no porto de Tenerife. Em vez disso, permanecerá ancorada em mar aberto.
“Esta medida reduzirá drasticamente o risco de contágio”, afirmou Fernando Clavijo, chefe do executivo regional das Ilhas Canárias.
Segundo o plano detalhado pelas autoridades, os passageiros serão avaliados individualmente a bordo por equipes médicas. Aqueles autorizados a desembarcar serão transferidos diretamente para o aeroporto em embarcações de apoio e comboios sanitários, sem qualquer contato com a população local.
A ministra da Saúde da Espanha, Mónica García, declarou que todos os cidadãos estrangeiros serão repatriados imediatamente após o desembarque, desde que apresentem condições clínicas para a viagem.
Atrito Político e Medo Local
A gestão da crise gerou um embate federativo entre o governo central em Madri e a administração regional das Canárias. Clavijo acusou o governo do primeiro-ministro Pedro Sánchez de falta de transparência e de tomar decisões unilaterais. Em um esforço para conter o desgaste político, Sánchez telefonou para o líder regional na quinta-feira, buscando alinhar o protocolo de segurança.
A tensão também se manifesta no setor portuário. Enquanto o sindicato principal, a Coordenadora Estatal de Trabalhadores do Mar, apoia as medidas restritivas, grupos dissidentes em Santa Cruz de Tenerife convocaram protestos para esta sexta-feira, citando medo da exposição ao vírus e falta de diretrizes claras para os trabalhadores que auxiliarão na aproximação da embarcação.
Debates sobre Quarentena
Internamente, o gabinete de Sánchez exibiu fissuras quanto ao tratamento dos cidadãos espanhóis a bordo. A ministra da Defesa, Margarita Robles, sugeriu que qualquer isolamento seria voluntário. No entanto, a ministra da Saúde reiterou que o Estado possui “ferramentas legais” para impor uma quarentena obrigatória, caso necessário, embora tenha ressaltado que confia na responsabilidade individual dos passageiros.
Especialistas observam que, embora o hantavírus seja grave, a transmissão entre humanos — característica da cepa andina mencionada — exige protocolos de contenção rigorosos, justificando a escala da operação militar e sanitária em curso na Espanha.


