Audiência dos réus da tentativa de golpe de estado na Primeira Turma do STF. (Foto: STF)


Nesta próxima terça-feira (2), o Supremo Tribunal Federal (STF) será palco de um dos julgamentos mais emblemáticos da história recente do Brasil.

No centro da disputa jurídica estão os defensores do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e de seus principais aliados, acusados de integrar o chamado “núcleo crucial” da tentativa de golpe de Estado.

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Com a missão de afastar seus clientes das acusações de organização criminosa e atentado contra a democracia, os advogados se preparam para um embate que transcende os limites do tribunal. A estratégia da defesa aposta na tese de lawfare — a alegação de que Bolsonaro estaria sendo alvo de perseguição judicial.

Essa abordagem já foi utilizada com êxito por Cristiano Zanin, hoje ministro do STF, na defesa do presidente Lula durante a Operação Lava Jato. A repetição da narrativa revela uma tentativa ousada de deslegitimar o processo, sugerindo que há motivações políticas por trás das investigações.

A Procuradoria-Geral da República sustenta a acusação com base em provas como a gravação de uma reunião ministerial e a delação do tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Bolsonaro.

Em um cenário de alta tensão institucional, o julgamento coloca em xeque não apenas o futuro político do ex-presidente, mas também a credibilidade das instituições democráticas. Se condenados, os réus podem enfrentar penas severas. Bolsonaro, especificamente, corre o risco de ser sentenciado a até 43 anos de prisão — e o ministro Alexandre de Moraes já avalia sua transferência para o presídio da Papuda, em Brasília.

Acompanhe quem são os advogados que tentarão evitar as condenações dos oito réus deste primeiro grupo acusado de envolvimento na tentativa de golpe.

Celso Vilardi

Celso Vilardi é advogado criminalista brasileiro com forte atuação em direito penal econômico e processos de alta complexidade. Formado em Direito pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, também é mestre em Direito Processual Penal. Atua como professor em cursos de pós-graduação e é reconhecido por sua capacidade técnica e oratória em tribunais superiores.

Ao longo de sua carreira, Vilardi construiu reputação por defender clientes envolvidos em casos de grande repercussão nacional, especialmente relacionados a corrupção, lavagem de dinheiro e crimes financeiros. Ele já representou empresários, políticos e figuras públicas em investigações como Lava Jato, Castelo de Areia e Mensalão. Também foi advogado de Eike Batista em processos por crimes contra o sistema financeiro.

Em 2025, assumiu a defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro em ações que tramitam no Supremo Tribunal Federal. O caso envolve acusações de tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022. Na sustentação oral, Vilardi afirmou que não há provas materiais contra Bolsonaro, que os discursos do ex-presidente não configuram ameaça institucional e que ele não teve envolvimento nos atos de 8 de janeiro. Contestou a validade da delação de Mauro Cid e disse que não há elementos que justifiquem a abertura de ação penal.

Antes de assumir a defesa, Vilardi havia declarado publicamente que via indícios consistentes nas investigações. Após analisar os autos, mudou sua avaliação e passou a sustentar a ausência de provas contra seu cliente.

José Luís de Oliveira Lima

José Luís de Oliveira Lima, também conhecido como Juca, é advogado com mais de 30 anos de atuação na área criminal. Formado em Direito, construiu uma carreira marcada por sua presença em casos de grande repercussão nacional. Foi eleito duas vezes entre os cem brasileiros mais influentes pela revista Época e listado como um dos quinze advogados mais importantes do país.

Além da atuação jurídica, Juca é conhecido por suas posições públicas firmes e críticas à interferência política no sistema de justiça. Já publicou artigos em veículos como a Folha de S. Paulo, onde criticou o populismo e a atuação do ex-presidente Jair Bolsonaro em episódios envolvendo a Polícia Federal e a Ordem dos Advogados do Brasil A.

José Luís de Oliveira Lima esteve à frente da defesa de diversas figuras públicas e empresários envolvidos em investigações de grande porte:

  • José Dirceu – Ex-ministro da Casa Civil, condenado na Lava Jato. Juca atuou em sua defesa e acompanhou a anulação das sentenças em 2024.
  • Alberto Youssef – Doleiro envolvido na Lava Jato.
  • Pedro Guimarães – Ex-presidente da Caixa Econômica Federal, réu por assédio sexual.
  • Roger Abdelmassih – Médico condenado por estupro de pacientes.
  • Léo Pinheiro – Ex-presidente da OAS. Juca negociou a primeira tentativa de delação premiada do executivo, que acabou sendo recusada pela PGR.

Braga Netto assumiu a defesa do general Walter Braga Netto, ex-ministro da Casa Civil e ex-candidato a vice-presidente na chapa de Jair Bolsonaro. Braga Netto está preso preventivamente por suspeita de envolvimento na tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022.

Durante sua atuação no Supremo Tribunal Federal, Juca apresentou um pedido de reconsideração da prisão ao ministro Alexandre de Moraes. Na sustentação, argumentou que a prisão é desproporcional e que não há elementos concretos que justifiquem a medida cautelar. A defesa busca demonstrar que Braga Netto não participou diretamente da articulação golpista e que sua prisão compromete garantias constitucionais.

Pedro Amador de Cunha Bueno

Pedro Amador de Cunha Bueno é advogado criminalista, herdeiro de uma das mais tradicionais famílias da advocacia penal no país. Seu nome carrega o legado de juristas que marcaram a história do direito penal desde o século XIX, como o Conselheiro Thomaz Alves, comentarista do Código Criminal do Império de 1830, e os renomados advogados paulistas Amador da Cunha Bueno (1856–1943) e Amador da Cunha Bueno Júnior (1892–1983).

Atualmente, Pedro integra o escritório Paulo Amador da Cunha Bueno – Advogados, referência nacional em direito penal, com atuação destacada em casos de alta complexidade, especialmente ligados a crimes econômicos, corrupção, lavagem de dinheiro, compliance criminal e acordos de colaboração premiada. O escritório é conhecido por representar autoridades públicas, parlamentares, empresários e instituições nacionais e estrangeiras em processos judiciais e consultorias preventivas.

Pedro Amador de Cunha Bueno mantém o padrão técnico e ético da tradição familiar, com atuação firme na defesa de garantias constitucionais e na crítica à espetacularização do processo penal. Sua prática combina conhecimento doutrinário com estratégia processual, sendo reconhecido por sua postura discreta e eficaz nos tribunais superiores

Pedro Amador de Cunha Bueno atua como advogado de defesa no processo que investiga a tentativa de golpe de Estado. Ele integra a equipe jurídica responsável por representar o ex-presidente Jair Bolsonaro e outros acusados no Supremo Tribunal Federal. Sua participação envolve a elaboração de estratégias jurídicas, análise dos autos e sustentação da tese de que não houve envolvimento direto do réu na articulação golpista.

A defesa conduzida por Pedro e seus colegas busca afastar qualquer vínculo entre o réu e os documentos que sugerem a intenção de ruptura institucional. Argumenta que não há provas materiais que sustentem a acusação de tentativa de golpe, e que os atos investigados não configuram ameaça ao Estado Democrático de Direito.

Cézar Roberto Bittencourt

Cézar Bittencourt é um dos mais respeitados criminalistas do Brasil, com mais de 45 anos de atuação na área penal. Formado em Direito pela Universidade de Passo Fundo, é doutor em Direito Penal pela Universidade de Sevilha, na Espanha. Professor e autor de mais de 30 livros sobre Direito Penal, é referência acadêmica e prática no campo das Ciências Criminais.

Ao longo da carreira, foi promotor de justiça, delegado de polícia e professor universitário. Fundou o Programa de Pós-Graduação em Ciências Criminais da PUCRS e atua como professor convidado em instituições nacionais e internacionais. Seu escritório, com sede no Rio Grande do Sul, é especializado em direito penal empresarial, crimes políticos, econômicos e contra a administração pública.

Bittencourt é conhecido por sua independência intelectual, crítica à delação premiada e postura firme diante de casos de grande repercussão. Já se posicionou publicamente contra abusos judiciais e prisões preventivas sem fundamento concreto.

Atuação no caso dos atos de 8 de janeiro:

Cézar Bittencourt representa o tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Jair Bolsonaro, no inquérito que apura a tentativa de golpe de Estado e os ataques às instituições em 8 de janeiro. Cid é acusado de envolvimento em diversos episódios, incluindo falsificação de certificados de vacinação, uso indevido de cartões corporativos, articulação com milícias digitais e participação na trama golpista.

Bittencourt assumiu a defesa após outros advogados deixarem o caso, e causou impacto imediato ao afirmar que Mauro Cid apenas cumpria ordens superiores. Em sua estratégia, sustenta que a obediência hierárquica no contexto militar deve ser considerada como elemento que afasta a culpabilidade do réu. A defesa também busca desqualificar a narrativa de que Cid agiu com autonomia ou intenção golpista.

Matheus Mayer Milanez

Matheus Mayer Milanez é advogado criminalista, nascido em Campinas em 1991. Formado em Direito pela Universidade de Brasília (UnB), é especialista em Direito Penal e Processo Penal pelo Instituto Brasileiro de Ensino, Desenvolvimento e Pesquisa (IDP) e atualmente cursa mestrado em Direito Penal também pela UnB. Atua como professor voluntário na mesma universidade, lecionando disciplinas voltadas a crimes contra a administração pública.

Desde 2018, Milanez é coordenador adjunto do Instituto Brasileiro de Ciências Criminais (IBCCrim), tendo também presidido a Comissão de Direito Militar da OAB do Distrito Federal entre 2022 e 2024. Sua atuação profissional se concentra em crimes financeiros, direito penal empresarial, crimes contra a propriedade industrial e casos de alta complexidade envolvendo autoridades públicas.

No cenário jurídico nacional, Milanez ganhou notoriedade por sua atuação técnica e postura firme em tribunais superiores. Em junho de 2025, durante o julgamento dos réus do núcleo central da tentativa de golpe de Estado, sua participação chamou atenção ao representar o general Augusto Heleno, ex-ministro do Gabinete de Segurança Institucional.

A estratégia de defesa adotada por Milanez se baseia em três pilares:

  • Desvinculação da autoria: Alega que Augusto Heleno não participou da redação da chamada “minuta do golpe” nem de reuniões conspiratórias.
  • Ausência de comando operacional: Sustenta que o general não teve envolvimento direto nos atos executados por militares ou civis.
  • Respeito à hierarquia institucional: Argumenta que Heleno atuou dentro dos limites legais de sua função e que não há elementos que justifiquem sua responsabilização penal.

Eumar Novacki

Eumar Roberto Novacki é advogado, gestor público e coronel da reserva da Polícia Militar do Estado de Mato Grosso. Formado em Direito, com especializações em Gestão Estratégica e Direito Público, concluiu seu mestrado em Administração Pública em 2018.

Desde 2020, dedica-se à advocacia com foco em governança corporativa, compliance, gestão de crise e defesa institucional. Em 2023, assumiu a defesa do ex-ministro da Justiça Anderson Torres, réu por suposta omissão nos atos antidemocráticos de 8 de janeiro. Novacki tem sustentado publicamente a inocência de seu cliente, apresentando provas como registros de passagens compradas antes dos eventos e destacando a ausência de vínculo direto com os ataques às sedes dos Três Poderes.

Sua atuação tem sido marcada por firmeza técnica e respeito às instituições, defendendo punição rigorosa aos responsáveis pelos atos de vandalismo, ao mesmo tempo em que busca garantir o devido processo legal e a presunção de inocência de Torres. A estratégia da defesa tem evitado a politização do caso, priorizando manifestações nos autos e posicionamentos oficiais à imprensa.

Andrew Fernandes Farias

Andrew Fernandes Farias é um advogado criminalista. Ele se firmou profissionalmente em Brasília, onde fundou o escritório Andrew Advocacia, especializado em Direito Penal, Direito Constitucional e causas de repercussão nacional.

Com mestrado em Ciências Aeroespaciais pela Universidade da Força Aérea e doutorando em Direito Constitucional pelo Instituto Brasileiro de Ensino, Desenvolvimento e Pesquisa (IDP), Farias construiu carreira como defensor técnico, especialmente em processos que envolvem autoridades públicas e temas sensíveis à democracia.

Andrew Farias já atuou em diversas causas de grande visibilidade, incluindo a defesa de militares e agentes públicos em investigações criminais e ações penais.

Atuação no Caso 8 de Janeiro

No contexto dos atos antidemocráticos de 8 de janeiro de 2023, Andrew Farias representa o ex-ministro da Defesa Paulo Sérgio Nogueira, acusado de envolvimento em uma suposta trama golpista para reverter o resultado das eleições presidenciais.

Durante audiência no STF, Farias adotou uma estratégia de defesa centrada em três pilares:

  • Negação de vínculo direto entre seu cliente e os atos violentos ocorridos em Brasília.
  • Desconstrução da narrativa de golpe, argumentando que não há provas concretas de articulação por parte do ex-ministro.
  • Arrolamento de autoridades como testemunhas, incluindo o ministro Alexandre de Moraes e o ex-ministro Flávio Dino, para demonstrar que as reuniões institucionais não tinham caráter conspiratório.

Paulo Roberto Cintra Pinto

Paulo Roberto Cintra Pinto é advogado com atuação na área penal e constitucional, especialmente em processos de alta complexidade política e institucional. Com experiência em tribunais superiores, como em sustentações orais no Supremo Tribunal Federal (STF).

Ele se firmou profissionalmente em Brasília, onde representa figuras públicas e autoridades envolvidas em investigações sensíveis. Sua atuação é marcada por estratégias jurídicas voltadas à desconstrução de narrativas acusatórias e à proteção das garantias constitucionais dos réus.

No julgamento dos atos antidemocráticos de 8 de janeiro de 2023, Paulo Roberto Cintra Pinto representa o deputado federal Alexandre Ramagem (PL-RJ), ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin). Ramagem foi denunciado pela Procuradoria-Geral da República como integrante do chamado “núcleo crucial” da suposta organização criminosa que teria articulado uma tentativa de golpe de Estado.

Durante sua sustentação oral no STF, Cintra adotou uma estratégia de defesa centrada nos seguintes pontos: desqualificação da denúncia, negação de vínculo conspiratório e crítica à gravidade da imputação.