O confronto entre Paquistão e Afeganistão escalou de forma inédita nesta sexta-feira (27), após Islamabad anunciar oficialmente “guerra aberta” contra o país vizinho. Poucas horas depois da declaração, forças paquistanesas realizaram ataques aéreos contra cidades afegãs, incluindo a capital, Cabul.
Segundo autoridades militares do Paquistão, os bombardeios atingiram instalações do Talibã em Cabul, Kandahar e Paktia. Testemunhas relataram explosões e sobrevoo de caças. Kandahar, considerada o centro de comando do grupo, abriga o líder espiritual Haibatullah Akhundzada.
Em resposta, o Talibã afirmou ter conduzido ataques com drones contra alvos militares em Islamabad, Nowshera, Jamrud e Abbottabad. O governo paquistanês declarou ter abatido parte dos drones e negou vítimas.
A ofensiva marca a primeira vez que Islamabad direciona ataques diretamente contra estruturas do Talibã, sinalizando uma ruptura profunda nas relações entre os dois países, que já foram aliados próximos. O Paquistão, potência nuclear, acusa o regime afegão de abrigar militantes responsáveis por atentados em seu território — acusação rejeitada por Cabul.
O anúncio de guerra ocorre após meses de tensão na fronteira e sucessivos confrontos armados. Na noite de quinta-feira, forças afegãs haviam lançado uma ofensiva contra tropas paquistanesas, alegando retaliação a bombardeios anteriores.
Enquanto os dois governos divulgam versões contraditórias sobre baixas e avanços militares, não há balanço oficial de mortos até o momento. O primeiro-ministro paquistanês, Shehbaz Sharif, negou perdas em postos militares, enquanto o porta-voz do Talibã, Zabihullah Mujahid, afirmou que dezenas de soldados paquistaneses foram mortos e capturados.
O conflito, iniciado em pleno Ramadã, preocupa vizinhos e potências regionais. Irã e China se ofereceram para mediar negociações e pediram moderação para evitar mais derramamento de sangue.
As relações entre os dois países já vinham se deteriorando desde outubro, quando confrontos na fronteira deixaram mais de 70 mortos e levaram ao fechamento de passagens terrestres. Tentativas de cessar-fogo mediadas por Catar e Turquia fracassaram.
O cenário atual reforça a instabilidade na região, onde também atua o grupo Estado Islâmico Khorasan. Desde a retomada do poder pelo Talibã, o Afeganistão vive sob rígida interpretação da lei islâmica, que restringe direitos de mulheres e meninas.




