As tarifas dos Estados Unidos não devem causar uma recessão global, mas enfraquecerão a economia mundial, segundo o Fundo Monetário Internacional (FMI). O aumento das tarifas aduaneiras impostas pela administração Trump tem gerado incertezas econômicas e pressionado a inflação global.
De acordo com Kristalina Georgieva, diretora-geral do FMI, os impostos sobre importações desacelerarão o crescimento econômico, mas não a ponto de provocar uma recessão mundial. Ela destacou que a economia global está sendo testada por uma reconfiguração do sistema de comércio internacional, o que tem gerado turbulências nos mercados financeiros, especialmente em Wall Street, onde oscilações significativas têm sido registradas.
Georgieva também ressaltou que as barreiras comerciais, como tarifas e outras restrições, têm alimentado percepções negativas sobre o sistema multilateral de comércio, considerado por muitos como injusto. Ela apelou para que os países reduzam essas barreiras, um processo que, segundo ela, estagnou na última década após avanços significativos no período pós-Segunda Guerra Mundial.
As tarifas, segundo Georgieva, criam incertezas que podem ser custosas, especialmente devido à complexidade das cadeias de abastecimento globais. O custo de um único produto pode ser impactado por tarifas aplicadas em diversos países. Embora essas barreiras possam, eventualmente, estimular a produção interna, sua implementação tende a ser demorada e seus efeitos, imediatos, geralmente afetam negativamente o crescimento econômico.
Nas projeções mais recentes do FMI, publicadas em janeiro, a expectativa era de que a economia global crescesse a um ritmo mais rápido, enquanto a inflação apresentaria queda. No entanto, as políticas comerciais de Trump, incluindo cortes de impostos e aumento de tarifas sobre importações, foram apontadas como fatores que poderiam alterar essas previsões. O FMI projetava um crescimento econômico global de 3,3% para este ano e o próximo, acima dos 3,2% registrados em 2024. Já a inflação global, que havia subido devido à pandemia de covid-19 e seus impactos nas cadeias de abastecimento, deveria cair de 5,7% em 2024 para 4,2% este ano e 3,5% em 2026.
Entretanto, a intensificação da guerra comercial entre os Estados Unidos e a China nos últimos meses pode alterar significativamente essas previsões. Trump tem mantido uma postura firme em relação às tarifas, e cada aumento aplicado pelos EUA tem sido seguido por retaliações de Pequim. Essa disputa tarifária tem gerado volatilidade nos mercados financeiros e incertezas econômicas globais.
O FMI divulgará mais detalhes sobre suas perspectivas econômicas globais na próxima terça-feira, trazendo atualizações sobre os impactos dessas políticas comerciais no cenário internacional.


