A digitalização acelerada da sociedade e a presença cada vez maior de inteligências artificiais na comunicação são temas que exigem reflexões profundas.
Nesta segunda-feira (2), a pesquisadora Margareth Boarini, doutora em Tecnologias da Inteligência e Design Digital pela PUC-SP, discutiu esses desafios em entrevista ao Jornal BC TV, do BRASIL CONFIDENCIAL.
Boarini enfatizou que as empresas precisam assumir um papel ativo na produção de conteúdo responsável.
“Hoje, há uma quantidade absurda de informações circulando, mas nem todas são verificadas. O problema da desinformação é sério e exige um compromisso ético das organizações”, afirmou.
Segundo ela, a inteligência artificial pode criar e disseminar conteúdos sem distinção entre verdadeiro e falso, reforçando a necessidade de maior controle sobre o que é compartilhado.
A pesquisadora também abordou a importância da transparência na comunicação empresarial e na gestão de crises.
“Uma empresa não pode se isentar da responsabilidade pelo que comunica. Se errar, precisa pedir desculpas de forma estruturada e rápida. A audiência não tolera descuidos e manipulações”, destacou.
Outro ponto levantado na entrevista foi a emergência dos humanos digitais e dos influenciadores virtuais.
“Já vivemos uma coexistência com os não humanos digitais. São avatares, bots e influenciadores virtuais que interagem diretamente conosco. Muitas vezes, ao buscar atendimento online ou comprar um produto, a interface é conduzida por um ser digital”, explicou Boarini.
Seu novo livro, “Dos Humanos aos Humanos Digitais e os Não Humanos – A Nova Ordem Social da Coexistência”, investiga esse fenômeno e sugere que a presença digital redefine até mesmo conceitos como identidade e morte.
“Se antes a morte física representava o fim da existência, agora o legado digital permite que uma pessoa continue presente na rede. Perfis sociais, textos e imagens permanecem acessíveis e podem servir como memória para familiares e amigos”, disse.
No cenário atual, Boarini acredita que a ética na comunicação é um dos elementos mais críticos a serem preservados.
“Não dá mais para tolerar o preconceito, seja de gênero, raça ou qualquer forma de discriminação. As empresas precisam se posicionar com clareza e defender valores fundamentais, porque a comunicação hoje acontece sob um olhar vigilante do público”, ressaltou.
Além disso, a pesquisadora pontuou que a crise da desinformação pode ser combatida por meio da valorização de influenciadores que promovam conteúdos checados e confiáveis. “Há cientistas e divulgadores sérios que combatem fake news, como a doutora Helena Araújo e a doutora Rosana Richtmann. As empresas deveriam se aliar a essas vozes e priorizar a veracidade das informações que compartilham”, concluiu.
O avanço da inteligência artificial e dos humanos digitais levanta questionamentos sobre o futuro da comunicação, mas para Boarini, o caminho passa por um compromisso sólido com a ética, o respeito e a responsabilidade na produção de conteúdo.
Para assistir a entrevista completa, acesse o link aqui:



