Policiais militares cercam edifício na Avenida Faria Lima onde fintech operava dinheiro oriundo do crime organizado. (Foto: Redes Sociais)


A Polícia Federal informou que vai abrir ainda nesta sexta-feira (29) inquérito para investigar suspeita de vazamento de informações que teria comprometido o cumprimento de mandados de prisão durante a maior operação já realizada contra o crime organizado no Brasil.

Deflagrada na quinta-feira (28), a ação mirou a infiltração do Primeiro Comando da Capital (PCC) em uma rede criminosa que movimentou cerca de R$ 140 bilhões por meio de fraudes no setor de combustíveis e lavagem de dinheiro via instituições financeiras.

Dos 14 mandados de prisão preventiva expedidos pela Justiça Federal, apenas seis foram cumpridos. Entre os oito foragidos estão os principais suspeitos de liderar o esquema, como Mohamad Hussein Mourad, conhecido como “Primo”, e Roberto Augusto Leme da Silva, o “Beto Louco”.

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Ambos são apontados como articuladores da contaminação da cadeia produtiva de combustíveis, desde a aquisição de usinas e postos até a adulteração de gasolina e ocultação de patrimônio por meio de fundos de investimento.

A cúpula da PF considera atípico o elevado número de alvos que escaparam da operação.
Investigadores relataram que muitos dos suspeitos deixaram seus endereços na véspera da ação, o que levantou a hipótese de vazamento interno. “É uma questão de honra entender o que houve e prender quem continua foragido”, afirmou um delegado envolvido na força-tarefa.

A operação, que envolveu mais de 1.400 agentes em oito estados, foi conduzida em parceria com o Ministério Público de São Paulo, Receita Federal e Agência Nacional do Petróleo (ANP).

Foram cumpridos mais de 400 mandados judiciais, resultando no bloqueio de R$ 3,2 bilhões em bens e valores, além da suspensão de 21 fundos de investimento ligados ao esquema.

Segundo o ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, os desdobramentos da investigação podem revelar novas ramificações da atuação do PCC na economia formal. “Estamos diante da maior ofensiva já realizada contra o crime organizado no país”, declarou.

A PF agora concentra esforços para identificar a origem do possível vazamento e garantir o cumprimento dos mandados restantes. A investigação também busca aprofundar as conexões entre os líderes da facção e o mercado financeiro, onde foram detectadas operações suspeitas em fintechs e distribuidoras de combustíveis.