A Polícia Federal confirmou nesta segunda-feira (15) que seis quadros apreendidos durante a Operação Cambota, deflagrada na última sexta-feira (12), são de autoria dos artistas plásticos Emiliano Di Cavalcanti e Tomie Ohtake.
As obras estavam em imóveis ligados a investigados por envolvimento em um esquema de fraudes contra aposentados e pensionistas do INSS, que teria movimentado mais de R$ 6,3 bilhões em descontos ilegais.
Segundo a PF, os quadros foram recolhidos em endereços de empresários e advogados suspeitos de integrar a chamada “Máfia do INSS”.
Entre os alvos da operação estão Maurício Camisotti, apontado como um dos principais articuladores do esquema, e Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”.
Além das obras de arte, os agentes apreenderam joias, relógios de luxo, dinheiro em espécie e veículos de alto padrão, como uma Ferrari F8 avaliada em R$ 3,6 milhões e uma Lamborghini Urus 2020, cujo valor estimado ultrapassa R$ 2,5 milhões.
A perícia da PF identificou entre os itens apreendidos uma obra de Tomie Ohtake datada de 1970, além de pinturas atribuídas a Cândido Portinari, cujas peças podem alcançar valores entre R$ 2 milhões e R$ 5 milhões, dependendo da técnica e da fase da produção.
“Se confirmada a autenticidade, trata-se de um acervo de altíssimo valor histórico e artístico”, afirmou Suzana Pirani Meyer Castilho Garcia, perita da Associação dos Peritos Judiciais do Estado de São Paulo.
O advogado Pierpaolo Bottini, que representa Camisotti, declarou que os bens foram adquiridos “ao longo de mais de 30 anos de atuação empresarial de sucesso na área de saúde e benefícios, ou seja, anteriores ao período da investigação e compatíveis com seu patrimônio”.
A Operação Cambota é um desdobramento da Operação Sem Desconto, realizada em abril, que levou à queda do então presidente do INSS, Alessandro Stefanutto, e do ex-ministro da Previdência, Carlos Lupi. A PF apura se entidades como a AMBEC (Associação dos Aposentados Mutualistas para Benefícios Coletivos) foram usadas para aplicar descontos indevidos diretamente na folha de pagamento de beneficiários, com posterior repasse a empresas ligadas aos investigados.
A investigação segue em curso e os bens apreendidos serão submetidos à análise técnica para confirmação de autenticidade e avaliação de mercado



