A Polícia Federal realizou nesta quarta-feira (28) uma operação contra um grupo criminoso composto por militares da ativa e da reserva, suspeito de praticar espionagem e homicídios sob encomenda. A investigação revelou que os criminosos mantinham uma tabela de preços para monitoramento de autoridades, incluindo ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), parlamentares e até pessoas comuns.
A tabela manuscrita encontrada pelos agentes mostrava valores que variavam conforme o cargo da vítima. A espionagem de ministros do STF custava R$ 250 mil, enquanto a de senadores e deputados tinha valores de R$ 150 mil e R$ 100 mil, respectivamente. Além disso, o grupo utilizava drones e prostitutas para obter informações.
A operação foi autorizada pelo ministro do STF Cristiano Zanin e está relacionada ao assassinato do advogado Roberto Zampieri, ocorrido em Mato Grosso. No celular da vítima foram encontrados registros de negociações de sentenças judiciais envolvendo magistrados de diversos tribunais, incluindo ministros do Superior Tribunal de Justiça (STJ).
A organização criminosa autodenominada “Comando C4: Caça Comunistas, Corruptos e Criminosos” se passava por uma empresa de segurança privada, mas operava serviços ilegais. O grupo é alvo de cinco mandados de prisão, além de ordens de busca e apreensão e monitoramento eletrônico.
Um dos investigados, o coronel Caçadini, já havia sido preso em 2024 por suspeita de envolvimento no crime. A defesa afirma que não há provas contra ele e que sua citação teria ocorrido após “tortura” de um dos executores.
A PF informou ao STF que há indícios de que a organização criminosa realizava espionagem e homicídios sob encomenda e era responsável pela morte de Zampieri. Os agentes continuam apurando o caso para identificar todos os envolvidos.


