A Polícia Federal prendeu nesta sexta-feira (27) o prefeito de Palmas, Eduardo Siqueira (Podemos), e seu advogado, Michelangelo Cervi Corsetti.
As prisões fazem parte da 9ª fase da Operação Sisamnes, que investiga um suposto esquema de vazamento de informações sigilosas de investigações e operações do Superior Tribunal de Justiça (STJ).
As prisões ocorrem após buscas realizadas na residência e no gabinete de Eduardo Siqueira em Palmas, além da unidade penal da capital tocantinense. O advogado Michelangelo Cervi Corsetti, com atuação em Brasília, também foi alvo de um mandado de prisão.
A investigação aponta que Eduardo Siqueira teria obtido e repassado, de forma antecipada, informações sobre uma operação da Polícia Federal no Tocantins em 2024.
Diálogos interceptados pela PF sugerem que o prefeito tinha conhecimento detalhado de um processo em andamento no STJ e teria uma “fonte” no Tribunal que recebia pagamentos para fornecer esses dados.
Um dos trechos aponta que Eduardo teria antecipado uma operação da PF contra Thiago Marcos Barbosa, sobrinho do governador Wanderlei Barbosa (Republicanos).
Defesas dos envolvidos
Em coletiva realizada em seu gabinete, antes da prisão, Eduardo Siqueira admitiu saber do que se tratava a investigação, mas negou ter vazado informações sigilosas.
Ele afirmou que não tem “fonte no STJ” e que sua relação com Thiago Barbosa é de “afeto”, tendo inclusive indicado um advogado para ele – Michelangelo Cervi Corsetti.
“Eu não tenho nenhuma informação privilegiada. Estou aqui para responder em relação suposto vazamento de informação perante o STJ. Eu não tenho fonte no STJ, não é meu papel. Eu indiquei um advogado [para Thiago Barbosa], e esse advogado foi constituído e teve acesso aos autos”, declarou o prefeito.
A defesa de Michelangelo Cervi Corsetti informou que ainda não teve acesso completo aos autos do processo, o que impede uma manifestação aprofundada.
No entanto, garantiu que seu cliente nunca acessou ilegalmente informações processuais sigilosas ou as repassou a terceiros, e que sua atuação sempre se deu dentro dos limites éticos da advocacia.
Corsetti se colocou à disposição da Justiça para prestar os esclarecimentos necessários.
Outras Linhas da Investigação
Além da suspeita de vazamento de informações sigilosas envolvendo Eduardo Siqueira, esta fase da Operação Sisamnes também investiga se o advogado Thiago Marcos Barbosa, preso em março de 2025, recebeu “privilégios ilegais” dentro da prisão. Thiago é suspeito de vazar informações sobre operações judiciais, inclusive para seu tio, o governador Wanderlei Barbosa, que não é investigado na operação.
A Secretaria de Cidadania e Justiça do Tocantins declarou que Thiago Marcos Barbosa cumpre medida preventiva em cela comum, dividindo o espaço com outros 29 detentos. A secretaria afirmou ainda que as visitas familiares ocorrem semanalmente, enquanto advogados têm prerrogativa de visitas assistidas sempre que necessário, inclusive diariamente. A pasta colaborou com a operação e não constatou irregularidades ou privilégios relacionados a Thiago.
O governador Wanderlei Barbosa reforçou que não é investigado, não foi citado no processo e não recebeu informações privilegiadas. Sua defesa esclareceu que o governador já tinha acesso formal ao inquérito desde abril de 2024, quase três meses antes da data da conversa encontrada no WhatsApp dos suspeitos, que data de junho de 2024.
Contexto da Operação Sisamnes
A Operação Sisamnes é um desdobramento de um grande inquérito que tramita no Supremo Tribunal Federal (STF), sob a relatoria do ministro Cristiano Zanin. A operação investiga crimes como obstrução de justiça, violação de sigilo funcional, corrupção ativa e passiva. A Polícia Federal identificou uma rede clandestina de monitoramento, comércio e repasse de informações sigilosas sobre o andamento de investigações sensíveis supervisionadas pelo STJ, resultando na frustração de operações policiais.
Apesar de a PF ter solicitado o afastamento de Eduardo Siqueira do cargo, o pedido foi negado. No entanto, seu passaporte foi recolhido, e as buscas foram autorizadas.
STF DIVULGA INFORME
Em nota, o STF informou que o ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federa, autorizou a Polícia Federal a realiza nesta sexta-feira (27) uma série de medidas cautelares “inseridas em contexto investigativo que examina suposta organização criminosa direcionada ao vazamento de informações sigilosas e ao favorecimento de determinadas partes em processos em curso no Superior Tribunal de Justiça”.
De acordo com o STF, a decisão, a Polícia Federal apresentou elementos que revelariam uma suposta atuação dos envolvidos em práticas criminosas relacionadas ao acesso privilegiado e ao vazamento de informações judiciais sigilosas, o que teria resultado no cometimento, em tese, do delito de embaraçamento de investigação policial envolvendo organização criminosa.
Foram cumpridos mandados de prisão preventiva em desfavor do advogado Antônio Ianowich Filho, do policial civil Marco Augusto Velasco Nascimento Albernaz e do prefeito de Palmas (TO), José Eduardo de Siqueira Campos.
A decisão também autorizou medidas de busca e apreensão em desfavor dos investigados, assim como o afastamento da função pública, a proibição de manutenção de contato entre eles e a vedação a que deixem o país.
Em manifestação, a Procuradoria-Geral da República (PGR) se posicionou favoravelmente em relação às medidas implementadas.


