A soja é o produto que o país mais produz e exporta. (Foto: EBC)


A agropecuária brasileira deve consolidar, em 2026, sua posição como principal vetor de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB), com projeções de produção recorde tanto em grãos quanto em proteínas animais.

Segundo estimativas da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), o país deverá colher 353,8 milhões de toneladas de grãos e produzir 32,3 milhões de toneladas de carnes bovina, suína e de frango — volumes que, se confirmados, representarão novos marcos históricos para o setor.

O desempenho é atribuído à expansão da área cultivada, ao fortalecimento da demanda externa e à ampliação do crédito rural, que tem operado como instrumento estratégico de política econômica. “Os dados mostram a confiança dos homens e das mulheres do campo para seguir com a produção. Há investimentos disponíveis, com volume recorde de recursos e condições diferenciadas de crédito, como juros reais negativos para a produção de alimentos, a partir do Plano Safra do Governo Federal”, afirmou Edegar Pretto, presidente da Conab.

Continua depois da publicidade

Grãos: soja lidera avanço

A produção de grãos deve crescer 1% em relação à safra anterior, que foi de 350,2 milhões de toneladas. A área plantada passará de 81,74 milhões para 84,24 milhões de hectares, refletindo a confiança do setor produtivo e a expectativa de retorno econômico.

A soja, carro-chefe do agronegócio nacional, deve registrar aumento de 3,6%, alcançando 177,67 milhões de toneladas. A recuperação da produtividade no Rio Grande do Sul e o crescimento da demanda global — especialmente para alimentação animal e biocombustíveis — sustentam o otimismo.

Já o milho, apesar da expansão da área semeada, deve apresentar leve retração de 1% na produção, totalizando 138,3 milhões de toneladas. A queda é atribuída à redução da produtividade média, impactada por fatores climáticos e logísticos.

Exportações sustentam crescimento

A produção de proteínas animais deve atingir 32,3 milhões de toneladas, com destaque para a carne de frango (15,9 milhões) e suína (5,8 milhões), ambas com projeções recordes. A carne bovina, por sua vez, passará por ajuste, recuando de 11,1 milhões de toneladas em 2024 para 10,6 milhões em 2026.

A expectativa é de que as exportações do setor alcancem 5,4 milhões de toneladas em 2026, com destaque para a carne suína, cuja demanda é impulsionada pela abertura de novos mercados asiáticos. Mesmo com o registro de Influenza Aviária no Rio Grande do Sul, o foco foi rapidamente controlado, preservando a imagem sanitária do Brasil no mercado internacional.

Crédito rural

O crédito rural tem sido decisivo para sustentar o crescimento do setor. Com juros reais negativos e linhas específicas para agricultura de baixo carbono, o financiamento tem viabilizado investimentos em tecnologia, infraestrutura e práticas sustentáveis. A produção de grãos cresceu 205,3% nos últimos 20 anos, passando de 114,7 milhões para 350,2 milhões de toneladas, segundo a Conab.

Além do crédito, programas como o PAA (Programa de Aquisição de Alimentos) e o Arroz da Gente têm fortalecido a agricultura familiar, garantindo segurança alimentar e inclusão produtiva. Em 2025, o PAA movimentou R$ 1,89 bilhão em 5.890 projetos, beneficiando cerca de 133 mil agricultores familiares — 80% deles mulheres.

Impacto macroeconômico

O desempenho da agropecuária em 2025/26 deve contribuir para o equilíbrio da balança comercial, a geração de empregos no interior do país e a contenção da inflação de alimentos. Com o setor respondendo por cerca de 25% do PIB brasileiro, os números projetados pela Conab reforçam o papel do agronegócio como âncora da estabilidade econômica e da segurança alimentar nacional.