A cápsula Orion pousou no Pacífico às 21h07 (horário de Brasília), na costa de San Diego, Califórnia. Conforme esperado, os astronautas perderam contato por seis minutos enquanto a cápsula se tornava uma espécie de “bola de fogo”, durante um dos momentos mais tensos de toda a missão.
A aterrissagem contou com onze enormes paraquedas antes que a Marinha dos EUA buscasse a tripulação para levá-la de volta à terra firme. O navio de resgate USS John P. Murtha aguardava a chegada, assim como um esquadrão de aviões militares e helicópteros.
Segundo a NASA, a tripulação percorreu um total de 694.481 milhas, o equivalente a cerca de 1.117.659 quilômetros. A aproximação à Lua levou os astronautas mais longe do que qualquer ser humano jamais havia chegado, superando o recorde de distância anterior estabelecido pela Apollo 13 em 1970.
“Os Estados Unidos voltaram a enviar astronautas à Lua e a trazê-los de volta em segurança”, afirmou Jared Isaacman, administrador da NASA, sobre a missão.
Por sua vez, o presidente Donald Trump parabenizou a tripulação, que deverá visitar em breve a Casa Branca. Ele antecipou que seu governo continuará impulsionando a exploração espacial. “Faremos de novo e, depois, o próximo passo: Marte”, disse o republicano.
Mais de 30 vezes a velocidade do som
O pouso exigiu uma manobra tão crítica quanto o lançamento. A previsão era de uma queda a uma velocidade 45 vezes maior do que a de um avião, com temperaturas equivalentes a quase metade da superfície do Sol.
A bordo da cápsula Orion, Reid Wiseman, Christina Koch, Victor Glover e Jeremy Hansen não apenas sentiram o peso de seus corpos multiplicado por quatro durante a queda, mas também enfrentaram temperaturas extremas de cerca de 2.700 °C, confiando sua segurança ao escudo térmico da nave — um dos testes decisivos da missão Artemis II.
“Pilotar uma bola de fogo pela atmosfera é algo extremamente profundo”, disse Glover em vídeo antes da operação de reentrada. No momento em que atingiram a atmosfera, eles viajavam a 32 vezes a velocidade do som, um feito inédito desde as missões Apollo da NASA à Lua nas décadas de 1960 e 1970.
A cápsula Orion é totalmente autônoma, não exigindo controle manual dos astronautas, exceto em caso de emergência. O engenheiro espanhol Carlos García-Galán, responsável pelo programa Moon Base da NASA, explicou que o lançamento e a decolagem são as manobras de maior risco.
Ele destacou que o retorno permite atingir a velocidade necessária para testar o escudo térmico que protege os astronautas das “temperaturas extremamente altas geradas pelo atrito com a atmosfera ao entrar na Terra”.
“Só podemos alcançar esta velocidade se formos em direção à Lua”, acrescentou ele à agência EFE.
Durante um voo de teste, ocorreram problemas com o escudo térmico. Em consequência, a NASA optou por uma rota diferente para a reentrada na atmosfera. O administrador da NASA, Jared Isaacman, afirmou que não ficaria tranquilo até que os quatro tripulantes retornassem para suas famílias.
“Venho pensando na reentrada desde 3 de abril de 2023, quando nos designaram essa missão”, disse à imprensa Rick Henfling, diretor de voo para o retorno da Artemis.
Recorde de distância da Terra
Depois de decolar da Flórida em 1º de abril, os astronautas acumularam uma conquista após a outra ao conduzirem o retorno lunar da NASA, o primeiro passo para o estabelecimento de uma base sustentável.
Na cena mais comovente da missão, os astronautas pediram permissão para batizar duas crateras com os nomes da nave lunar e da falecida esposa de Wiseman, Carroll.
Durante a aproximação recorde, eles documentaram cenas do lado oculto da Lua e apreciaram um eclipse solar total. O fenômeno, em particular, “simplesmente nos deixou boquiabertos”, disse Glover.
Problemas a bordo
A viagem enfrentou problemas técnicos nos sistemas de água potável e de propulsão. O contratempo mais notável foi no banheiro, o que impediu a tripulação de usá-lo durante a maior parte da viagem, forçando os astronautas a recorrer a sacolas plásticas e funis.
Para a astronauta Christina Koch, os riscos fazem parte do processo: “Não podemos explorar mais a fundo a menos que façamos sacrifícios e assumamos riscos; tudo isso vale a pena”.
Em 2027, a missão Artemis III prevê a acoplagem da cápsula a módulos de pouso em órbita. Já a Artemis IV tentará pousar uma tripulação no polo sul da Lua em 2028.



