A oposição na Câmara dos Deputados pediu ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ) a abertura de uma investigação contra o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli. O requerimento foi encaminhado pelo vice-líder da oposição, deputado Ubiratan Sanderson (PL-RS), ao corregedor nacional de Justiça, Mauro Campbell Marques, e também ao procurador-geral da República, Paulo Gonet.
No documento, o parlamentar solicita apuração sobre uma suposta participação econômica indireta ou sociedade oculta do ministro em um empreendimento privado, o que é vedado pela Lei Orgânica da Magistratura Nacional (Loman). A suspeita envolve o Resort Tayayá, localizado em Ribeirão Claro, no norte do Paraná, historicamente associado à família de Toffoli e que teria sido vendido, em abril de 2025, ao advogado Paulo Humberto Barbosa.
Segundo o pedido, Barbosa mantém vínculos societários com integrantes do grupo J&F, controlado pelos irmãos Joesley e Wesley Batista. Ele é sócio de Renato Mauro Menezes Costa, presidente da Friboi, e de Gabriel Paes Fortes, cunhado de José Batista Júnior, na empresa Petras Negócios e Participações, que atua no aluguel de aeronaves. Reportagens publicadas em janeiro de 2026 pelo portal Metrópoles embasam as suspeitas apresentadas pelo deputado.
Embora Toffoli não apareça formalmente como sócio do resort, o parlamentar afirma que relatos de funcionários e o padrão de uso do local indicariam que o ministro seria frequentador habitual e beneficiário direto do empreendimento, com residência privativa e uso exclusivo de embarcação. O pedido também solicita apuração de possível conflito de interesses, uma vez que Toffoli é relator no STF de um caso envolvendo o Banco Master, instituição que teria negócios com fundo de investimentos ligado a familiares do ministro.


