Lula e Alcolumbre: os bons companheiros. (Foto: Álbum Pessoal de Davi Alcolumbre)


O Palácio do Planalto decidiu agir para conter a crise institucional que ameaça a relação entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP). O impasse gira em torno da indicação de Jorge Messias, atual advogado-geral da União, ao Supremo Tribunal Federal (STF), que enfrenta resistência nos bastidores do Congresso.

A estratégia do governo prevê um encontro direto entre Lula e Alcolumbre antes da sabatina na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), etapa decisiva para a aprovação do nome. “O presidente quer restabelecer o diálogo e garantir apoio à indicação”, afirmou um auxiliar do Planalto.

Nos bastidores, interlocutores relatam que Alcolumbre tem adotado postura ambígua diante da indicação. A demora na definição da data da sabatina e a ausência de sinais públicos favoráveis acenderam o alerta no Executivo. Parte da insatisfação estaria ligada à condução do processo de escolha, que teria ignorado acordos políticos previamente estabelecidos.

Continua depois da publicidade

Segundo fontes do governo, a nomeação de Messias é considerada técnica e alinhada ao perfil desejado por Lula, mas não foi negociada com líderes do Senado, o que gerou desconforto. Para reforçar o compromisso do Executivo, o Planalto deve entregar pessoalmente a mensagem presidencial ao Senado, em gesto que busca pacificar os Poderes e evitar uma derrota política em uma das votações mais sensíveis do ano.

Alcolumbre, por sua vez, tem em mãos uma “fatura cara” a ser cobrada do governo. De acordo com aliados do senador e fontes do Planalto ouvidas sob reserva, ele quer o comando de bancos públicos e autarquias estratégicas. Na lista estão as presidências do Banco do Brasil, do Banco do Nordeste (BNB), do Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) e da CVM (Comissão de Valores Mobiliários).

Lula, segundo auxiliares, estaria disposto a ceder alguns espaços, mas não todos. “O objetivo central do presidente é aprovar Jorge Messias no STF”, disse um assessor.