A Associação Santa Gaia, organização não governamental com sede em Lins (SP), denunciou ter sido alvo de uma operação da Polícia Civil na manhã de quinta-feira (16), que resultou na apreensão de insumos, equipamentos laboratoriais e produtos medicinais utilizados no tratamento de cerca de 9 mil pacientes.
⚠️ Quando o cuidado vira alvo, todos perdem.
— APEPI (@familiaapepi) October 17, 2025
A Santa Gaia, que trata mais de 9 mil pacientes com epilepsia, Parkinson, Alzheimer e dores crônicas, foi invadida pela polícia.
🌱 Cultivo destruído.
💧 Óleos apreendidos.
💔 Famílias sem tratamento.#SantaGaiaResiste #CannabisÉSaúde pic.twitter.com/v0Th8h7wuJ
Segundo comunicado divulgado pela entidade, o mandado de busca e apreensão foi expedido pela Justiça Estadual e cumprido sem aviso prévio. A associação afirma que diretores, colaboradores e pacientes foram pegos de surpresa com a ação, que teria desconsiderado processos judiciais em curso que reconhecem a legalidade das atividades da ONG.
A Santa Gaia atua no acesso à cannabis medicinal e afirma possuir um habeas corpus em andamento, além de uma ação cível no Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1), em Brasília, com agravo de instrumento aguardando decisão. “Não existe qualquer determinação judicial que obrigue a interrupção das atividades da associação”, diz o texto.
A entidade critica o que chama de “grave descompasso de informações entre a Justiça Estadual, a Polícia Civil e a própria Justiça Federal”, e afirma que a operação coloca em risco milhares de pacientes que dependem dos medicamentos para manter qualidade de vida e estabilidade clínica.
É fundamental que o governo @tarcisiogdf explique a truculenta ação da Pol. Civil que destruiu a plantação de cannabis medicinal e garanta o fornecimento do óleo para os 9 mil pacientes que estão sem medicação desde a batida policial na sede do Assaciação Santa Gaia em Lins, SP pic.twitter.com/GLTMox0vLz
— Eduardo Suplicy (@esuplicy) October 17, 2025
De acordo com a associação, 170 famílias recebem medicação gratuitamente, 97 pacientes são atendidos sem custo pela clínica social e 53 colaboradores atuam diariamente na produção e distribuição dos produtos. Entre os beneficiários estão crianças, idosos e pessoas com condições graves como epilepsia, Parkinson, Alzheimer, câncer e dores crônicas.
A Santa Gaia também manifestou desconforto com o momento da operação, alegando que ocorre em meio ao avanço da regulamentação da cannabis medicinal no país. “Em um contexto de construção coletiva e científica de políticas públicas, uma ação punitiva e descoordenada como essa não se justifica”, afirma.


