Altemar Sarmento Filho e Antonio Coelho, são suspeitos de ataque a homem em situação de rua em Belém. (Foto: Redes Sociais)


Momento em que o morador de rua é atacado. (Foto: Reprodução)

A violência contra um homem em situação de rua, atacado com uma arma de choque em frente a uma universidade particular na avenida Alcindo Cacela, ganhou contornos de uma grave denúncia de desrespeito a direitos humanos. Dois vídeos chegaram a conhecimento público. Um foi gravado por um dos envolvidos e mostra o colega aplicando choque contra o morador de rua. Um segundo vídeo mostra a mesma vítima sendo alvejada por jatos de extintor de incêndio por jovens dentro de um carro.

O episódio do choque ocorreu na manhã de segunda-feira (13). Imediatamente provocou indignação social, mobilizou autoridades e expôs a vulnerabilidade extrema de pessoas que vivem nas ruas da capital paraense.

As primeiras imagens mostram Altemar Sarmento Filho, de 18 anos, estudante de Direito, aproximando-se da vítima pelas costas e aplicando descargas elétricas com uma arma de choque.

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Acompanhava-o Antônio Coelho, aluno do 6º semestre, que registra a cena em vídeo. Ambos aparecem rindo durante a agressão.
Entregadores de aplicativo que passavam pelo local tentaram intervir, mas foram impedidos de entrar na instituição por seguranças, quando os estudantes fugiram para dentro da faculdade.

Os dois estudantes foram rapidamente identificados pela Polícia Civil. Antônio compareceu voluntariamente à delegacia de São Brás, enquanto Altemar chegou acompanhado de advogados e cobriu o rosto com um paletó.

Ambos permaneceram em silêncio durante os depoimentos e foram liberados após os procedimentos. A arma de choque foi apreendida e passará por perícia.

Repercussão

A defesa de Antônio alegou que ele não teria participado diretamente da agressão, enquanto os advogados de Altemar afirmaram que o equipamento estaria “danificado” e não seria letal.

A justificativa foi recebida com indignação por professores e estudantes da instituição.
O caso provocou protestos em frente à universidade e nas ruas próximas. Estudantes, entregadores e moradores exigiram punições exemplares. Cartazes traziam frases como “Justiça para os invisíveis” e “A rua também é casa”. Uma moradora relatou que o mesmo homem já teria sido alvo de ataques anteriores por jovens em carros de luxo.

A universidade

Em nota, o Centro Universitário do Estado do Pará lamentou o ocorrido, afastou os dois estudantes e abriu procedimento administrativo interno. A instituição informou que aplicará o Regulamento Geral e o Código de Ética e Conduta para definir as punições.

A Polícia Civil instaurou inquérito e apreendeu a arma de choque para perícia. O Ministério Público Federal está acompanhando a investigação e encaminhará representação criminal ao MP do Pará.

Na Assembleia Legislativa do Estado, a deputada Lívia Duarte (PSOL) classificou o caso como possível lesão corporal e tortura, além de citar aporofobia.

A Secretaria Municipal de Direitos Humanos localizou a vítima, que apresentava ferimentos nas costas, e encaminhou-o para acolhimento.