Viaturas retornam para unidade policial com homens presos. (Foto: SSP/SP)


A Polícia Civil de São Paulo deflagrou nesta terça-feira (30) a operação “Ano Novo, Vida Nova”, voltada à prisão de homens com histórico de violência doméstica e familiar contra mulheres. Todos os alvos tinham mandado de prisão em aberto. Até as 11h50 233 homens já haviam sido presos.

A ação ocorre em meio ao aumento dos casos de feminicídio no estado e tem como foco agressores já identificados pela Justiça.

A operação mobiliza 1.700 policiais civis e mais de mil viaturas, com apoio da Secretaria de Políticas para a Mulher.

Continua depois da publicidade

Coordenadora das Delegacias de Defesa da Mulher (DDMs), a delegada Cristiane Braga afirmou que a ofensiva representa uma resposta direta a homens que acreditavam estar impunes. “É a resposta para os agressores que imaginavam que poderiam ficar na impunidade”, disse.

A operação envolve todos os departamentos de polícia judiciária do interior e da capital. Para o secretário da Segurança Pública, Osvaldo Nico Gonçalves, a prisão de autores de violência doméstica é uma medida essencial para garantir a integridade das vítimas. “É fundamental para preservar vidas, garantir dignidade e demonstrar que o Estado atua de forma firme e coordenada contra a violência doméstica”, afirmou.

A secretária de Políticas para a Mulher, Adriana Liporoni, destacou o caráter preventivo da ação. “Queremos encerrar o ano com mais vidas protegidas, porque cada agressor capturado significa mais uma família livre da violência”, declarou.

A iniciativa ocorre em um momento de alta nos índices de feminicídio na capital paulista. Em 2025, a cidade registrou o maior número de casos desde o início da série histórica, em abril de 2015.

Um dos episódios mais emblemáticos foi o de Tainara Souza Santos, 31, que morreu após ser atropelada e arrastada por cerca de um quilômetro na Marginal Tietê, em novembro. A vítima teve as pernas mutiladas e não resistiu aos ferimentos, falecendo no dia 24 de dezembro. Ela deixou dois filhos.

O autor do crime, Douglas Alves da Silva, com quem Tainara teve um breve relacionamento, foi preso no dia seguinte. Segundo a Polícia Civil, ele não aceitava o fim do relacionamento. O delegado Fernando Barbosa Bossa, responsável pela investigação, classificou o caso como tentativa de feminicídio com requintes de crueldade. “A motivação dele foi simplesmente porque ele não aceitava um término, aquela sensação de posse, em um total desprezo à condição de gênero e de mulher”, afirmou.

O feminicídio é considerado crime hediondo no Brasil. Quando tipificado como qualificadora do homicídio, a pena varia de 12 a 30 anos de prisão. A legislação define o crime como o assassinato de uma mulher motivado por razões de gênero, geralmente no contexto de violência doméstica, discriminação ou menosprezo à condição feminina.

A operação “Ano Novo, Vida Nova” reforça a necessidade de políticas públicas contínuas e integradas para o enfrentamento da violência de gênero. Especialistas alertam que a prisão de agressores é apenas uma das etapas do combate ao problema, que exige também prevenção, acolhimento às vítimas e ações educativas voltadas à desconstrução da cultura machista.