A proliferação de armas clandestinas pelo país é feita pelo crime organizado. (Reprodução)


As polícias dos estados brasileiros deixam sem resposta três em cada quatro solicitações feitas via Lei de Acesso à Informação (LAI) sobre controle de armas de fogo.

O dado consta em levantamento divulgado nesta quinta-feira (5) pelos institutos Igarapé e Sou da Paz.
Segundo os pesquisadores, a falta de transparência compromete a avaliação das políticas públicas locais, especialmente em temas como entrada e saída de armas apreendidas, rastreamento da origem de armamentos e gestão dos arsenais das próprias corporações.

Entre 2021 e 2023, foram enviados questionamentos às polícias Civil, Militar e Científica dos 26 estados e do Distrito Federal. O resultado mostra que 71% dos pedidos foram ignorados ou negados, enquanto 21% receberam resposta completa e 8% foram atendidos parcialmente.

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“O alto percentual de negativas impossibilita a construção de um diagnóstico preciso sobre o atual estado do controle estadual de armas de fogo e munições no Brasil”, afirmou Malu Pinheiro, pesquisadora do Sou da Paz.

Ela acrescenta que a ausência de dados impede o controle dos arsenais das polícias e favorece desvios de armas que, segundo ela, “são obtidas por meios legais e acabam indo para o mercado ilegal”.

Classificação dos estados

O estudo avaliou os pedidos em cinco perguntas enviadas às polícias militares e científicas, além de 13 às civis, divididas em três categorias:
controle de entrada e saída de armas (apreendidas, furtadas, roubadas, doadas ou destruídas);
investigações e rastreamento da origem das armas;
controle de armas institucionais e orçamentos destinados a esse processo.

CACs e fiscalização

As polícias estaduais são responsáveis por apreender e armazenar armamentos em situação irregular, tanto os registrados por Caçadores, Atiradores Esportivos e Colecionadores (CACs) quanto os ilegais.

Desde julho de 2025, a fiscalização das armas de CACs passou para a Polícia Federal. Segundo a corporação, há mais de 1,5 milhão de armas registradas por esse grupo, além de 978 registros individuais ativos. Do total, 755 mil são de uso controlado, o que representa pouco mais de 50%.

Impacto no combate ao crime

Outro estudo do Sou da Paz, divulgado em 2025, mostrou que o arsenal do crime organizado se modernizou com pistolas e fuzis. Parte dessas armas, segundo o levantamento, foi desviada das próprias forças de segurança.

“Para além da ausência de transparência em si, a falta de dados impossibilita a construção de estratégias sólidas para o combate ao tráfico de armas no país”, disse Pinheiro.