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Deputado pastor é acusado por “violência política de gênero” em SP

Aos gritos, Gilmaci Santos interrompeu reunião presidida por Ana Carolina Serra (PSDB) e ofendeu a parlamentar paulista

da Redação

05 junho 2026

Deputado pastor é acusado por “violência política de gênero” em SP

Deputado pastor é acusado por “violência política de gênero” em SP.

Pastor da Igreja Universal do Reino de Deus e líder do governo Tarcísio de Freitas na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp), o deputado estadual Gilmaci Santos (Republicanos) foi acusado de “desrespeito de gênero” pela deputada Ana Carolina Serra (PSDB) durante reunião da Comissão de Assuntos Metropolitanos, nesta quarta-feira.

A parlamentar tucana usou as redes sociais para denunciar que o deputado, em tom exaltado, interrompeu os trabalhos e retirou da sala o presidente da Sabesp, Carlos Augusto Leone Piani, antes que ele pudesse responder aos questionamentos sobre reclamações de consumidores após a privatização da companhia em 2024.

“Fui profundamente desrespeitada como parlamentar e como mulher. Não vou tolerar que um outro deputado se ache no direito de levantar a voz para mim”, disse Serra em vídeo publicado em suas redes. A deputada afirmou que a atitude representou uma tentativa de “intimidação” e classificou o episódio como “incompatível com o ambiente democrático”.

A sessão havia sido convocada para ouvir explicações da Sabesp sobre tarifas e qualidade do serviço. No entanto, a presença de apenas cinco parlamentares, quando o regimento exige seis, abriu espaço para contestação. Foi nesse momento que Santos, em voz alta, impediu a continuidade da reunião e conduziu o executivo para fora da sala.

A deputada Ana Perugini (PT) afirmou que o caso configurou “violência política de gênero”. O deputado Antonio Donato (PT) também criticou a postura de Santos, apontando falta de cordialidade e respeito institucional.

A presidente do PSDB Mulher em São Paulo, Erika Santos, manifestou solidariedade à colega e disse que “não se pode admitir que o debate político seja conduzido pela intimidação”.

Em nota conjunta, as direções nacional do PSDB e do PSDB Mulher, assinadas por Aécio Neves e Marisa Serrano, repudiaram a atitude de Santos e afirmaram que Serra foi vítima de violência política de gênero. “A deputada foi constrangida e desrespeitada, tendo sua autoridade e prerrogativas regimentais desconsideradas”, diz o texto.

A Sabesp informou que o presidente compareceu “atendendo à convocação para prestar esclarecimentos sobre obras de implementação da rede de água e esgoto em Paranapanema”, mas que o depoimento não ocorreu “por falta de quórum regimental”. A companhia disse ainda que permanece à disposição da população e do Legislativo estadual.

Gilmaci Santos não foi localizado, e sua assessoria não se manifestou até o fechamento desta reportagem.

O episódio deve ter desdobramentos nos próximos dias, com articulações para uma nova convocação da Sabesp e discussões sobre medidas de proteção às parlamentares.

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