da Redação
25 maio 2026
O jornal britânico Financial Times publicou reportagem afirmando que o filme “Dark Horse”, inspirado na trajetória de Jair Bolsonaro até a vitória presidencial de 2018, transformou-se em uma “comédia de erros” que ameaça diretamente a candidatura de seu filho, o senador Flávio Bolsonaro.
Segundo o diário, a produção, que pretendia ser um thriller político com tintas de conspiração, acabou envolvida em polêmicas após vir à tona a ligação entre o projeto e o empresário Daniel Vorcaro, figura conhecida no mercado financeiro brasileiro.
“O filme que buscava retratar a chegada do ‘Trump dos Trópicos’ ao poder acabou se tornando um problema político para sua família”, escreveu o Financial Times.
De thriller a comédia de erros
O longa, que ainda não estreou oficialmente, foi concebido para explorar os bastidores da eleição de 2018, marcada pela ascensão meteórica de Bolsonaro e pela narrativa de outsider contra o sistema político tradicional. No entanto, a revelação de que Vorcaro teria papel relevante no financiamento da obra levantou questionamentos sobre interesses ocultos e possíveis impactos eleitorais.
O jornal britânico destacou que, em vez de fortalecer a imagem do ex-presidente, o filme passou a ser visto como um risco para Flávio Bolsonaro, que tenta consolidar sua candidatura em meio a um cenário político já fragmentado.
“A produção virou uma comédia de erros, expondo contradições e fragilidades da família Bolsonaro”, diz outro trecho da reportagem.
O título irônico
A crítica internacional ressalta que o título “Dark Horse” — expressão usada para candidatos improváveis que surpreendem em disputas eleitorais — acabou ganhando contornos irônicos diante das dificuldades enfrentadas pelo clã.
Além da repercussão negativa, analistas apontam que o episódio pode servir de munição para adversários políticos, que devem explorar a associação entre o filme e figuras controversas do mercado. A narrativa, que pretendia reforçar o mito do outsider, corre o risco de se converter em símbolo de improviso e desorganização.
Impacto eleitoral
O Financial Times observa que a estratégia de transformar Bolsonaro em personagem cinematográfico reflete a tentativa de internacionalizar sua imagem, aproximando-o de líderes populistas como Donald Trump. Contudo, o resultado até agora foi o oposto: em vez de consolidar a marca política, trouxe desgaste e incerteza.
A reportagem repercutiu no Brasil, onde especialistas em comunicação política avaliam que o caso pode se tornar um divisor de águas na campanha de Flávio. Em um ambiente eleitoral competitivo, qualquer ruído pode comprometer alianças e reduzir o espaço de manobra.
Símbolos e narrativas
O episódio reforça a máxima de que, na política, símbolos e narrativas têm peso decisivo. O filme que deveria ser um trunfo acabou se tornando um obstáculo — e, como definiu o jornal britânico, uma verdadeira “comédia de erros”.
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