da Redação
10 junho 2026
Dizem que os pensamentos são obras do cérebro, mas os sentimentos vêm do coração. Um é regido pela razão, o outro pela emoção. Razão nós sabemos o que é. É a lógica, a matemática, a relação entre o certo e o errado, a organização, a ordem, a objetividade. Já a emoção é ambígua, febril, intuitiva, criativa, muitas vezes caótica e desorganizada, entre outros aspectos. Mas, o que não nos damos conta é que, na realidade, tanto razão quanto emoção acontecem no cérebro, pois, fisiologicamente, o coração não pode pensar nem sentir.
Aí, um belo dia, descobriram que a razão é coordenada pelo lado esquerdo do cérebro e a emoção pelo direito. Quando ficamos irritados, a sabedoria popular nos sugere contarmos até dez, não é?
O que acontece nesses aproximados dez segundos é a transferência daquela ira imediata que acabamos de vivenciar, do lado direito emocional, para o lado esquerdo racional, quando passamos a pensar antes de reagir. Simples assim.
Essa teoria, certamente, justifica as diferenças entre nós, latinos, tidos como de “sangue quente” e os povos nórdicos, conhecidos por sua maior frieza. Então, aplicando-se a teoria dos dois hemisférios do cérebro, pode-se deduzir que os povos ao norte do Equador usam mais da sua razão, pensam mais do que sentem, e por isso transparecem maior frieza em suas ações, enquanto nós, latinos, não damos o tempo necessário para a razão e… tome sentimentalismo! Agora, para espanto geral, vai aqui a minha polêmica teoria sobre esse tema: “a emoção não existe”. Vou tentar me fazer entender.
O que chamamos de emoção, já vimos, são apenas informações, algo que pode ser dosado e, de certa forma, controlado, passando os estímulos recebidos prontamente para o lado racional, como fazem certos monges tibetanos que, acredito, têm nisso um hábito de não se incomodarem com as coisas do mundo.
Sendo assim, a emoção seria um conjunto de pensamentos, sim, apenas pensamentos, desordenados e em forma de preconceitos, medos, traumas e outras mazelas que carregamos em nosso cérebro desde nossa concepção e que, por serem complexos de mais, são difíceis de serem organizados e, quando nos deparamos com uma situação de estresse, alguns desses pensamentos/sentimentos eclodem em reações que ninguém é capaz de prever ou segurar, como caixas soltas no interior de um veículo que, ao frearmos, vêm todas para a frente, causando um enorme estrago.

As correntes filosóficas, as religiões e os próprios escritos sagrados nos levam a crer que a nossa perfeição consiste em não cedermos às tentações do mundo, às emoções, logo, para que isso ocorra, precisamos ser cada vez mais imbuídos de razão. E, quando chegarmos ao nível máximo de nossa racionalidade, seremos solidários, compreensivos, altruístas, não porque nos comovemos com a dor alheia, mas porque compreenderemos finalmente e racionalmente que nascemos para sermos um só corpo independente de raça, cor, credo, geografia, condição social, intelectual ou existencial e passaremos a agir, ao invés de nos lamentarmos.
De qualquer forma, ainda vivemos e viveremos muito tempo nessa dualidade da relação razão x emoção. Então, que procuremos apenas estar cientes dessa nossa condição humana, ainda um tanto primitiva, e que possamos caminhar com inteligência, gratidão e generosidade rumo à divina sabedoria universal.
*André Luiz Petraglia é escritor, palestrante e consultor de comunicação e design
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