da Redação
05 junho 2026
Rodrigues cobra dos EUA entrega de foragidos e bloqueio de bens.
O diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, afirmou nesta sexta-feira (5) que os Estados Unidos precisam transformar em ações práticas a decisão de classificar o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas.
Para ele, a medida só terá impacto real se vier acompanhada de prisões de criminosos brasileiros em território americano e do bloqueio de patrimônios ilícitos ligados às facções.
A declaração foi dada em entrevista no mesmo dia em que entrou em vigor a designação feita pela gestão Trump.
Rodrigues reconheceu a importância da cooperação histórica entre os dois países, mas alertou que a nova classificação pode gerar entraves burocráticos e comprometer investigações conjuntas.
Rodrigues foi enfático ao cobrar maior engajamento de Washington:
“Não basta apenas a designação. É fundamental que os Estados Unidos contribuam com prisões de foragidos que se escondem em seu território e com o bloqueio de patrimônios ilícitos ligados às facções”, disse.
Ele lembrou que operações conjuntas já trouxeram resultados expressivos:
“A maior apreensão de armas feita pela PF no Aeroporto do Galeão teve origem nos Estados Unidos. Também interceptamos carregamentos de haxixe vindos de lá, graças à troca de informações. Essa cooperação é vital e precisa ser ampliada”, afirmou.
Apesar de reconhecer o potencial da medida americana, Rodrigues criticou o enquadramento das facções como terrorismo:
“Foi uma surpresa. Consideramos um equívoco técnico equiparar grupos criminosos ao terrorismo. O PCC e o Comando Vermelho são organizações criminosas transnacionais, e é nesse campo que devem ser combatidas”, declarou.
O diretor-geral alertou que a nova classificação pode gerar entraves burocráticos e dificultar investigações conjuntas:
“Nos preocupa que mudanças de protocolo atrapalhem a agilidade da cooperação. O que precisamos é de mais eficiência, não de barreiras”, observou.
Rodrigues também destacou o impacto financeiro das facções e a necessidade de sufocar suas fontes de recursos:
“O bloqueio de bens e a recuperação de ativos são instrumentos poderosos. Sem dinheiro, essas organizações perdem capacidade de corromper, comprar armas e expandir suas redes”, disse.
Ele reforçou que a soberania brasileira não será afetada pela decisão externa:
“Nenhuma medida tomada fora do país altera a forma como atuamos internamente. Continuaremos enfrentando o crime organizado com base na nossa legislação e nas nossas prioridades”, afirmou.
“Esperamos que os Estados Unidos traduzam essa nova postura em ações concretas. O Brasil está pronto para ampliar a parceria, mas precisamos de resultados práticos. Prisões, bloqueios e cooperação efetiva são o caminho para enfraquecer essas facções”, concluiu.
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