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Trump cancela bombardeios e anuncia acordo com o Irã

Por Moisés Rabinovici

da Redação

11 junho 2026

Trump cancela bombardeios e anuncia acordo com o Irã

A noite que prometia uma terceira rodada de bombardeios contra o Irã sofreu uma reviravolta inesperada e pode se tornar a primeira do acordo sobre o Memorando de Entendimento, que prevê um novo cessar-fogo no Golfo Pérsico, a reabertura do Estreito de Ormuz e o fim do bloqueio americano aos portos iranianos.

O anúncio foi feito pelo presidente Donald Trump em sua rede Truth Social:

“Considerando que as discussões com a República Islâmica do Irã foram levadas ao mais alto nível da liderança iraniana e aprovadas, eu, como presidente dos Estados Unidos da América, cancelei os ataques e bombardeios programados contra o Irã para esta noite.”

Até 11 horas da noite no Oriente Médio e 16 horas em Washington, a agência semioficial iraniana Fars não confirmava o acordo. O mercado financeiro, porém, deu um voto de confiança a Trump: o barril de petróleo caiu para menos de 90 dólares e as bolsas americanas fecharam em alta.

“Nós temos um acordo”, disse o mediador paquistanês a Trump, quando ele e seu secretário da Defesa, Pete Hegseth, elevavam o tom belicoso contra o Irã, ameaçando uma terceira noite de bombardeios e até uma eventual captura da ilha de Kharg, principal terminal de abastecimento dos petroleiros internacionais.

Trump afirmou que o acordo já foi aprovado por Israel, Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Catar, Turquia, Paquistão, Bahrain, Kuwait, Jordânia “e outros”. O governo israelense, porém, informou que desconhecia os detalhes do Memorando de Entendimento. O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu convocou o alto escalão de seu governo para uma reunião durante a noite.

Depois de duas noites de bombardeios e sob ameaça de uma terceira, o chanceler iraniano Esmaeil Baqaei chegou a afirmar que o frágil cessar-fogo e as negociações para um acordo já não faziam sentido. Os novos combates haviam recomeçado com a derrubada de um helicóptero Apache por um drone, durante a semana, e se intensificaram enquanto aumentava a pressão americana para que o Irã aceitasse o Memorando de Entendimento.

Os impasses das negociações que devem começar a partir desse acordo de princípio incluem o programa nuclear iraniano, o futuro do Estreito de Ormuz, a liberação de cerca de 24 bilhões de dólares em depósitos iranianos congelados em bancos europeus e americanos, a retirada gradual das sanções econômicas e o cessar-fogo no Líbano.

Trump quer transformar o acordo preliminar numa cerimônia formal de assinatura. Segundo ele, a data poderá ser anunciada ainda nesta quinta-feira.

Horas depois…

O presidente Trump se precipitou mais uma vez. O acordo com o Irã que ele disse que poderia ser assinado logo não está finalizado, segundo a agência iraniana de notícias semioficial Fars. E sua aprovação, que foi atribuída ao líder supremo Mojtaba Khamenei, foi descrita como “especulativa” em Teerã.

Outro desmentido partiu de Israel, listado por Trump como um dos países que avalizaram o acordo. O governo israelense informou que não o viu, nem foi consultado sobre ele durante as negociações.
À noite, Trump se revelou mais realista, dizendo que a negociação para o Memorando de Entendimento “está praticamente pronto” e que sua assinatura poderá ser feita numa cerimônia na Europa, com o vice JD Vance o representando, acompanhado dos negociadores Steve Witkoff e Jared Kushner, na semana que vem.

*Moisés Rabinovici é jornalista brasileiro com carreira marcada por atuação internacional e inovação digital. Como correspondente de imprensa, atuou em Israel, Europa e Estados Unidos.

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