O presidente da Associação Brasileira de Supermercados (Abras), na sede da entidade. (Foto Abras)


O presidente da Associação Brasileira de Supermercados (Abras), João Galassi, disse na manhã desta sexta-feira, em entrevista ao vivo ao Jornal da Rádio CBN, que as empresas operadoras de vales alimentação e vales refeição são responsáveis pelo aumento no custo dos alimentos para a massa de consumidores no país.


“Essas empresas cobram taxa de reembolso, taxa de administração, taxa de adesão, taxa por transação, tabela de anuidade, taxa de gestão de pagamentos, prazo de corte na segunda-feira, prazo de reembolso para mais 30 dias, uma taxa de juros absurda para antecipação. Ou seja, tudo isso hoje está indo para o preço da alimentação do trabalhador. Muitas empresas nem sequer conseguem aceitar esse tipo de voucher em função das altas taxas”, declarou Galassi à emissora.

O presidente da Abras defendeu a criação de um mecanismo que permitiria que as empresas fizessem uma transação direta com a Caixa Econômica Federal, a fim de reduzir custos. Atualmente existe uma intermediação entre as empresas que oferecem o voucher alimentação para o trabalhador e as empresas que recebem esse voucher por meio da venda de produtos.

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Ele lembrou que as companhias de vales alimentação atuam como empresas financeiras, pois estabelecem juros de mercado, que são cobrados dos estabelecimentos que fazem a troca dos vouchers por dinheiro.


Para que não tenham prejuízo, esses custos cobrados dos estabelecimentos credenciados acabam sendo repassados para o consumidor, que paga mais caro pelos alimentos.


O presidente da Abras ainda defendeu a autorização aos supermercados para a venda de remédios sem receitas. Segundo ele, trata-se de uma medida importante para fomentar a concorrência.


“Rapidamente nós criamos uma concorrência no país. São 414 mil lojas que vão poder acionar e oferecer ao consumidor brasileiro uma concorrência justa dentro desse mercado dos remédios sem receitas. Ou seja, são aqueles remédios que são vendidos fora do balcão da farmácia. Nós vamos criar uma concorrência extraordinária e vamos reduzir os preços, vamos ajudar a reduzir os preços de remédios no país”, afirmou Galassi.

O líder dos supermercadistas brasileiros destacou a importância do chamado ‘Best Before’. Trata-se de um programa que consiste na alteração da regra sobre a validade dos alimentos.


Em vez de a data de validade indicar um prazo final para o consumo, ela serviria como uma recomendação de até quando seria mais adequado consumi-lo.


‘Eu acho que é um tema importantíssimo para redução do desperdício no país e que é adotado praticamente por todos os países da OCDE, por todos os países desenvolvidos no mundo, inclusive os não desenvolvidos. Nem todo o produto vence pela questão da segurança alimentar. A grande maioria deles vence exatamente por perda de alguma característica como sabor, crocância e aroma. Não pela questão da segurança alimentar.”

Segundo a Associação Brasileira das Empresas de Benefícios ao Trabalhador (ABBT), que representa organizações fornecedoras do vale alimentação e vale refeição, atua no seguimento que existe a décadas, criado dentro da filosofia do programa de alimentação ao trabalhador (PAT), criado pelo Governo Federal. De acordo com o portal da ABBT, o programa opera a 48 anos, 24,5 milhões de trabalhadores utilizam os vouchers através de rede credenciada, mais de 3 bilhões de refeições são pagas com os benefícios do programa por ano, mais de 800 mil estabelecimentos recebem os vales alimentação e refeição.

A Assossiação tem 22 empresas parceiras pelo PAT.

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