O presidente do Líbano, Joseph Aoun, acusou nesta segunda-feira (27) o Hezbollah de arrastar o país para um conflito “a serviço de interesses estrangeiros” e defendeu negociações diretas com Israel como única saída para encerrar a guerra.
O grupo xiita pró‑iraniano rejeitou imediatamente qualquer diálogo direto e prometeu manter a “resistência armada”. A declaração de Aoun marca uma rara inflexão na política libanesa, ao responsabilizar diretamente o Hezbollah pela escalada iniciada em 2 de março, quando o grupo retomou ataques contra Israel em meio à guerra regional envolvendo o Irã.
Israel, por sua vez, acusa o Hezbollah de minar a trégua e mantém bombardeios no leste e no sul do país.
O resultado é um impasse total: nenhuma das partes aceita ceder, e a população paga o custo humano de uma trégua frágil, violada quase diariamente.
Em comunicado oficial, Aoun afirmou que negociar diretamente com Israel não é traição. “Traição foi arrastar o país para uma guerra a serviço de interesses estrangeiros”, disse.
Ele acrescentou que busca um acordo nos moldes do armistício assinado em 1949, mas rejeitou qualquer solução “humilhante”.
O Hezbollah respondeu por meio de seu vice-líder, Naim Qassem, que classificou negociações diretas como um “desvio perigoso” capaz de mergulhar o Líbano em instabilidade.
“Rejeitamos categoricamente negociar diretamente com Israel”, declarou em mensagem transmitida pela emissora al‑Manar.
Enquanto isso, Israel retomou ataques no vale do Bekaa e no sul libanês, apesar da trégua ampliada para três semanas sob mediação norte‑americana. No domingo, bombardeios israelenses deixaram 14 mortos, incluindo duas crianças — o dia mais letal desde o início do cessar‑fogo em 17 de abril.
O primeiro‑ministro israelense, Benjamin Netanyahu, e o Hezbollah passaram a se acusar mutuamente de violar o acordo. O Exército israelense informou que um soldado foi morto em combates no Líbano, evidenciando a fragilidade da trégua.
Segundo dados oficiais libaneses, mais de 2.500 pessoas morreram em operações israelenses desde março. Mesmo após o início da trégua, ao menos 36 mortes foram registradas em ataques, sinal de que a violência continua apesar dos esforços diplomáticos.





